Biotipos Faciais: grande importância na hora dos Preenchimentos Faciais

O profissional especialista em harmonização facial deve obrigatoriamente conhecer os biotipos faciais, assim como, a relação entre esses assuntos para realizar o procedimento nos seus pacientes. Afinal, cada pessoa é um ser único e tem as suas próprias características. Sendo assim, o especialista deve respeitar as diferenças da estrutura da face na hora de realizar os tratamentos estéticos.

Além disso, o estudo sobre os biotipos faciais não serve para julgar o melhor formato entre as opções. Na verdade, o conceito contempla a anatomia facial para que o profissional perceba o perfil do paciente e ajude na compreensão onde será necessário intervir para realizar a harmonização facial.

Esse é o primeiro passo do diagnóstico clínico para o especialista traçar um planejamento de harmonização facial adequado às necessidades e objetivos do paciente. Pensando nisso, separamos os 3 principais tipos de biotipos faciais existentes e suas classificações que irão direcionar a abordagem clínica.. Acompanhe comigo:

De onde surgiu o conceito de Biotipo Facial?

Se você tem a origem na “odontologia de raiz”, usa muito estes conceito dos estudos cefalométricos que direcionam todo e qualquer tratamento ortodôntico, por exemplo.

Mas estes estudos datam de alguns séculos atrás, por estudos de artistas como Leonardo da Vinci, que buscavam determinar, com bases em estudos matemáticos anteriores, de Fibonacci, a fórmula para a beleza ideal. Na época, estes estudos deram na origem da proporção áurea que, foi e ainda hoje pode ser usada em alguns estudos para direcionar os tratamentos estéticos/cosméticos.

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Capa do disco Cabeça Dinossauro, dos Titãs, que traz estampado desenhos do Leonardo da Vinci com o grotesco, um dos muitos estudos que o gênio fez sobre a fisionomia humana.

É tão arraigado o conceito de proporção áurea na estética, da necessidade uma fórmula matemática para determinar o “correto” e o “mais belo”, que qualquer alteração nestas proporções podiam levar cientísticas a desenvolver teorias e pseudociência como a frenologia de Franz Joseph Gall nos finais do século XVIII ou a criminologia de Cesare Lombroso, onde alterações morfológicas faciais associadas a características fisiológicas e psicológicas de um indivíduo o colocava mais ou menos propenso à ações criminosas (e que pasme, tem reflexo ainda hoje em nosso código penal).

Para o profissional da Harmonização Facial, é importante entender que o biotipo facial consiste na configuração craniofacial é composta sobretudo por estruturas ósseas e musculares. Claro que outros elementos estruturais devem ser considerados já que estes têm conexão direta com a harmonia da face, como os compartimentos de gordura e até mesmo flacidez dos tecidos.

biotipos faciais
Os equivocados estudos faciais de Cesare Lombroso foram usados como justificativas para ações nazistas, como justificar a superioridade da “raça ariana”. 

Isto posto, entendemos que cada biotipo facial é inerente à individualidade, características hereditárias, genéticas e étnicas de pessoa para pessoa. Portanto, analisar o biotipo facial é o ponto inicial para realizar o planejamento de uma harmonização facial.

Lembre-se que para um rosto ser considerado agradável ou harmônico, há outros aspectos envolvidos, como a opinião do paciente em relação às suas características naturais. Sendo assim, não cabe ao profissional julgar nenhum perfil, já que não há um perfil facial “correto” ou “incorreto”, e que nos cabe, dentro de cada característica, valorizar ou não determinado aspecto da face.

Qual a relação entre biotipo facial e a harmonização facial?

A harmonização facial é um técnica que envolve procedimentos não-cirúrgicos (também podem ser considerados minimamente invasivos) e que busca alinhamento e correção dos ângulos e proporções faciais baseados em um “ideal estético”.

Vale lembrar que este ideal estético não é único, e a conversa com o paciente é que vai determinar os objetivos do tratamento. Mas em linhas gerais, com estes procedimentos é possível promover mais harmonia e delicadeza aos contornos da face, o que realça a beleza da pessoa com naturalidade.

De modo geral, a realização dos procedimentos dependem da análise minuciosa de toda a face, bem como da escolha da melhor “ferramenta” para se atender estes objetivos. Em linhas gerais, quando se trata de mudanças das relações faciais verticais e horizontais, a escolha na maior parte das vezes são dos preenchedores faciais nas regiões de contorno facial (têmpora, malar, angulo de mandíbula, pré-jowl e mento) ou mesmo em próteses internas nas mesmas áreas (apesar destas ultimas já envolverem processos cirúrgicos mais avançados)

Mas é por meio desse estudo que o profissional entenderá o melhor caminho para seguir durante o planejamento do tratamento do paciente. Entender sobre o assunto é fundamental tanto para recém-formados na área quanto para profissionais no mercado há muito tempo.

Portanto, o primeiro diagnóstico realizado pelo profissional parte da análise da estrutura e proporções da face, tanto horizontais quanto verticais. Sendo assim, há a possibilidade de indicar quais áreas estão em desarmonia e fazer a aplicação da substância a fim de deixar o rosto mais equilibrado e proporcional.

É por meio dessa análise facial que o profissional respeitará as distâncias e ângulos do indivíduo. No planejamento, o especialista indicará as determinadas áreas de preenchimento, seguindo os padrões da anatomia do próprio paciente. Isto é, sem mudanças radicais, exageradas ou desnecessárias.

Dolicofacial Euriprosópico Braquifacial Leptoprosópico Mesofacial Mesoprosópico
Os 3 Biotipos Faciais e sua relação entre larguras e comprimentos faciais.

Afinal, quais são os biotipos faciais?

Não existe uma nomeclatura unificada no que diz respeito a classificação dos biotipos faciais, vou apresentar duas, e as duas são definidas em 3 formatos os quais se diferenciam em relação ao eixo de crescimento: Mesofacial, Dolicofacial e Braquifacial.

Existe uma outra nomenclatura que alguns profissionais utilizam que são mesoprosopico,  euriprosópica e leptoprosópico, mas com significados semelhantes.

Prosopikós em grego significa Face/Facial. Portanto junto com outra palavra grega eureîa, que significa largo, Euriprosópica seria uma face Braquifacial. Por sua vez, lepto significa delgado, então Leptoprosópico seria o equivalente a Dolicofacial 

Esses são conjuntos de caracteres funcionais e morfológicos que determinam a direção do crescimento e comportamento funcional do rosto de uma pessoa.

Conheça as características específicas que permitem realizar a identificação de cada um desses biotipos, a seguir:

Biotipo Dolicofacial ou Euriprosópico

Dolico, ou dolichós é uma palavra de origem grega e que significa “longo“, deste modo a direção de crescimento vertical maior que o horizontal. Esse é um tipo de rosto que predomina o comprimento sobre a largura, o formato é alongado, oval e estreito, além de não apresentar mandíbula marcada. Desse modo, a musculatura da mandíbula é mais delgada e a direção de crescimento é para baixo e para trás, predominando o desenvolvimento vertical.

Nesse tipo de biotipo facial, o procedimento de harmonização facial é normalmente focado no eixo horizontal. Sendo assim, a intenção é equilibrar o comprimento em relação à largura, tornando-o proporcional.

Biotipo Braquifacial ou Leptoprosópico

Brachy, ou vrachy, também de origem grega que significa “curto“, ao contrário do Dolicofacial, apresenta-se com com o crescimento horizontal mais predominante em relação ao vertical. Esse tipo de estrutura é caracterizado pela face mais curta e quadrada, além de apresentar um contorno mandibular mais marcado e forte.

Já que a musculatura mandibular é mais espessa e prevalece os contornos faciais, o trabalho de harmonização facial deve ser realizado tornando como foco o eixo vertical. Sendo assim, esse biotipo de face tem maior tendencia a parecer senil precocemente pois algumas estruturas do rosto, como a região de jowl, tendem a ficar mais aparentes com o passar dos anos.

Biotipo Mesofacial ou Mesoprosópico

O biotipo mesofacial apresenta uma direção de crescimento proporcional nos diâmetros horizontal e vertical, mantendo uma boa relação entre altura e largura do rosto e a mandíbula se desenvolve para baixo e para frente. A palavra “meso” está relacionada ao que é proporcional, médio e equilibrado.

Por essa razão, esse biotipo está atrelado ao crescimento proporcional da face durante a vida. No procedimento de harmonização facial, o biotipo Mesofacial é o mais tranquilo e rápido de se trabalhar pela facilidade de identificar os pontos para realizar o tratamento.

E por que o profissional precisa conhecer a estrutura facial do paciente?

A importância do profissional conhecer os diferentes biotipos faciais é simples: com esse conhecimento o especialista está apto para analisar o caso e realizar o procedimento de acordo com a estrutura facial de cada indivíduo. O resultado é um efeito natural e que agrada o paciente.

Dessa maneira, ao analisar cada situação da forma correta, o diagnóstico é mais certeiro e permite a realização do planejamento de harmonização facial do paciente com segurança e eficácia.

Existe um biotipo facial ideal?

Eu costumo falar em aula que a Harmonização Facial nada mais é do que tomar decisões baseadas em como a luz e a sombra são vistas no rosto de um paciente, tal qual uma maquiagem.

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Os Biotipos Faciais tem uma relação muito grande com padrões de maquiagem. Rostos mais longos, os dolicofaciais, buscam a iluminação de modo que diminua as dimensões verticais, rostos mais largos, ou braquifaciais, buscam fazer com que a iluminação aumente as mesmas dimensões verticias.

Na maquiagem, existem padrões a serem seguidos. Por exemplo, em rostos longos, ou dolicofaciais, devemos fazer com que a luz e sombra dêem a impressão que o rosto é mais curto, em um perfil Braquifacial, é o oposto, busca-se alongar o rosto. Ou seja, em ambos os casos busca-se passar a sensação de equilibro na relação entre as dimensões horizontais e verticais.

E quem decide a melhor maquiagem, ou melhor, quais características faciais é desejável destacar, é o paciente. MAS sempre dentro de parâmetros que um profissional que trabalha na área pode definir.

Não temos que “fazer o que o paciente quer, mas o que o paciente precisa”. Curiosamente este é o motto do MD Asa, uma parte do conceito MD Codes que lida justamente com os planejamentos faciais.

E conhecer os biotipos faciais e suas abordagens, é um começo.


Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face