fios de sustentação, lift facial

Fios Absorvíveis e Não-absorvíveis nos Tratamentos de Lifting Facial

Aqui você encontra a transcrição do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Velasco, como requisito para obtenção do título de Especialista em Harmonização Orofacial da Dr. Karina Sebalho Souza Tebaldi. Orientador: Professora Rogerio Gonçalves Velasco.


Veja no final deste artigo como assistir à apresentação do trabalho e baixar o arquivo em PDF.


1. INTRODUÇÃO

Com o ritmo acelerado do mundo atual, há uma tendência de os pacientes buscarem alternativas de rejuvenescimento facial que não tenham longos períodos de recuperação, tenham menor morbidade e tempo de inatividade, e possam ainda melhorar a flacidez da pele facial, com isso os tratamentos cosméticos minimamente invasivos estão entre os mais procurados em todo o mundo, entre eles, o lifting facial com fio. O levantamento com fio é um procedimento cosmético ambulatorial em que o tecido frouxo é levantado e reposicionado com o objetivo de criar um contorno facial com aparência mais jovem (Cobo, 2020).

O tratamento de lifting facial com fios de Polidioxanona (PDO), foi primeiramente apresentado por Sulamanidze & Sulamanidze (2009) após acompanhamento com 4580 pacientes. Desde então, fios de diferentes composições, desenhos e, calibres, bem como diferentes técnicas foram introduzidas no mercado e apresentados na literatura.

Esse trabalho de revisão de literatura tem como objetivo, analisar os achados histológicos, o grau de satisfação e as possíveis complicações dos diferentes tipos de fios presentes na literatura atual.

2. METODOLOGIA

Os artigos utilizados nesse estudo foram buscados na PubMed utilizando o termo “PDO threads” com filtro entre 2017 e 2021 onde aparecem 23 estudos dos quais 6 foram selecionados após a leitura do abstract.
Seguindo o mesmo padrão anterior, com o termo “PLLA threads” foram mostrados 14 estudos, dos quais 3 foram selecionados, e com o termo “PCL threads”, 12 estudos foram mostrados e apenas 1 foi selecionado.
Os outros artigos que compõem essa revisão foram buscados diretamente pelo seu nome na PubMed, à medida que eram citados e pesquisados nas referências dos artigos que foram lidos.

3. REVISÃO DA LITERATURA

3.1 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E MECANISMO DE DEGRADAÇÃO

Lin et al. (1993) realizaram estudo in vitro com o objetivo de avaliar a estrutura morfológica e a degradação hidrolítica do fio monofilamento de polidioxanona (PDO) de tamanho 2-0. Os fios hidrolisados foram avaliados de acordo com as mudanças nas propriedades de tensão, peso, propriedades térmicas, estrutura de difração aos raios-x, morfologia da superfície e fenômeno de difusão do corante. Os resultados mostraram que a hidrólise dos fios de PDO passaram por dois estágios: cisão aleatória da cadeia de segmentos localizados nas regiões amorfas das microfibrilas e do espaço intermicrofibrilar, seguido por cisão gradual da cadeia de segmentos localizados nas regiões cristalinas das microfibrilas.

A maior perda de estrutura e peso foi observada entre os 120 e 180 dias. Os efeitos na orientação molecular dos fios são observados somente após 90 dias e continuam ocorrendo até os 180 dias. Os autores concluíram que a hidrólise teve efeito significativo nas propriedades e na morfologia, incluindo tensão, massa, propriedade térmica, estrutura da superfície e difusão do corante, porém não teve efeito sobre a orientação molecular.

Aitzetmueller et al. (2019) realizaram um estudo in vitro através de microscopia eletrônica de varredura de seis fios de polidioxanona (PDO) de calibre 21 com o objetivo de avaliar a microestrutura, resistência à tração, elasticidade, capacidade de ancoragem em tecido humano e biocompatibilidade. Cada marca comercial representou um grupo (n=5) e foram divididos da seguinte forma: grupo S1 – Dowon Medical – New Up, S2 – Dong-Jun – EVE, S3 – EPline Elastic – Plus, S4 – Yurim Medical – TMRWL T800, S5 – AG-Lift – DDG e S6 – Croma – Princess. Foram realizados testes de tração para determinar a relação entre tensão (força por unidade de área) e deformação (deformação proporcional), tração in situ onde os fios foram injetados em amostras de pele humana para avaliar seu comportamento de ancoragem e capacidade de levantamento durante o teste de arrancamento e biocompatibilidade utilizando fibroblastos humanos cultivados com os fios por 4 semanas. Os resultados observados na microscopia eletrônica de varredura inicial mostraram diferenças na microestrutura do fio, com diâmetro variando entre 0,3 mm (S5 e S6), 0,35 mm (S2) e 0,4 mm (S1, S3 e S4) o que deve ser levado em consideração na comparação dos valores absolutos, revelando variação significativa das propriedades mecânicas durante o teste de tensão. Houve uma distribuição homogênea dos resultados de elasticidade entre os fios (587 a 805 MPa).

Em contraste com as propriedades divulgadas pelos fabricantes, as forças máximas na ruptura apresentaram diferenças altamente significativas entre quase todos os produtos, variando entre 8,1 e 29,19 N, o fio S6 exibiu resistência à tração significativamente menor do que os outros, enquanto S1 e S2 foram significativamente mais robustos do que todas as outras amostras. A análise de ruptura mostrou padrões de quebra semelhantes entre todos os fios com falhas na base da farpa, que corresponde ao menor diâmetro do material, com exceção do fio S6, que mostrou zonas de ruptura que eram independentes da localização da farpa. Nos testes de tração in situ foram observadas diferenças estatisticamente significativas na força média máxima que pode ser aplicada, os resultados estão listados a seguir: S1 4,0 ± 1,24, S2 4,4 ± 3,09, S3 6,62 ± 2,75, S4 9,46 ± 3,13, S5 6,89 ± 2,91 e S6 3,89 ± 0,38 N. O fio S6 apresentou a menor capacidade de ancoragem, enquanto S4 foi significativamente superior a S1 e S6. Os fios S3, S4 e S5 eram fortes o suficiente para arrancar o tecido local e exibiam apenas uma leve deformidade das farpas na microscopia eletrônica de varredura.

Com relação ao teste de biocompatibilidade, alguns fios mostram citotoxicidade com diferenças significativas na viabilidade, na atividade metabólica e na liberação de lactato desidrogenase. Todos os fios afetam a atividade metabólica celular e alguns desencadeiam a morte celular, o fio S6 apresentou a menor atividade metabólica, que foi significativamente inferior a S3 e S5, com relação à liberação de lactato desidrogenase, foi observado uma liberação significativamente aumentada de lactato desidrogenase em culturas S6. Além disso, a microscopia eletrônica de varredura mostrou diferenças significativas entre as amostras após o cultivo. Embora os produtos S2 a S5 não tenham sido afetados ou apenas ligeiramente afetados pelo meio de cultura e os fibroblastos, S1 e S6 foram completamente dissolvidos durante o processo de cultura. Os autores concluíram que existem diferenças significativas na qualidade do material e na biocompatibilidade de produtos avaliados, com desempenho significativamente pior entre eles em testes de materiais e até exibiram características de citotoxicidade.

O desempenho insuficiente de alguns produtos pode estar relacionado a efeitos colaterais graves observados em resultados clínicos.

Em um estudo de revisão de literatura sobre fios monofilamento absorvíveis de Policaprolactone (PCL) avaliando as suas propriedades físicas, composição, resultados clínicos, segurança e eficácia, o autor observou que os estudos mostraram que os fios de PCL sofrem degradação mais lenta do que outros copolímeros derivados de seu componente de compostos alifáticos. O fio de PCL demonstrou ter degradação gradual de cerca de 40% em 18 meses em implantes de modelo subcutâneo, o que é relativamente mais longo do que os fios de PDO e PLLA que são totalmente hidrolisados ​​em 18 meses. Os fios de PCL mostraram, em estudos clínicos, a indução de uma reação de fibrose subcutânea que permaneceu estável após a reabsorção do fio além de 12 meses. Esses fios foram projetados para ter uma geometria tridimensional farpada para permitir que eles mantenham uma ação de levantamento mecânico para reposicionamento de flacidez e uma ação revitalizante histológica de estimulação de fibroblastos e síntese de colágeno, ácido hialurônico e elastina em torno do fio.

Uma vez colocado, o fio é clivado em seus componentes, ácido polilático e policaprolactona, que são, em última análise, hidrolisados em ácido lático e ácido 6-hidroxicapróico. Esses produtos de degradação são eventualmente reabsorvidos através de vias metabólicas específicas com baixa reação tecidual. Este processo degradativo leva cerca de 9 a 12 meses, que é tempo suficiente para a regeneração de tecidos que pode levar a um efeito de prolongamento do efeito do levantamento. O autor concluiu que os fios de PCL podem ser usados ​​para realizar lifiting facial para flacidez leve a moderada do tecido. Os estudos mostraram que os fios de PCL tem um bom perfil de biocompatibilidade, excelente segurança e tolerabilidade para rejuvenescimento facial. Nenhum dos pacientes nos estudos avaliados desenvolveu complicações graves. Nestes estudos, a maioria dos pacientes e cirurgiões consideram o procedimento satisfatório, com bom a excelente, resultados clínicos.

Os resultados duraram mais de 18 meses conforme mostrado em estudos clínicos, devido às propriedades estimuladoras de colágeno e porque os fios PCL são mais fortes do que os fios da geração anterior. Mais estudos avaliando a histologia em diferentes regiões da face e em diferentes tipos de pacientes, e em comparação com outros tipos de fios, devem ajudar a elucidar objetivamente a possível extensão das variações na resposta imunológica no futuro. (Wong, 2021)

3.2 ESTUDOS HISTOLÓGICOS

Kim et al. (2017) realizaram um estudo clínico com 12 porquinhos-da-índia Hartley adultos com o objetivo de avaliar as alterações histológicas e moleculares induzidas por lifting facial com fio monofilamento sintético absorvível calibre 1-0 a 2-0 USP de polidioxanona (PDO) farpado monodirecional. Amostras de tecido foram colhidas em 1, 3 e 7 meses, e uma análise histopatológica e de quantificação dos níveis de colágeno tipo 1 e fator de crescimento transformador beta 1 (TGF-b1) foram realizadas.

Os resultados mostraram que o implante de um único fragmento induziu cápsula fibrosa ao redor do fio, observados nos intervalos de 1 e 3 meses, a cápsula era mais espessa no primeiro mês do que no terceiro e foi substituída por tecido conjuntivo em 7 meses. As reações teciduais foram mais fortes no primeiro mês após a implantação, mostrando infiltração marcada de células inflamatórias, fibroblastos e células gigantes multinucleadas. Alterações não proeminentes foram observadas na epiderme sobrejacente após o implante em todos os espécimes. Não houve lesões anormais ou sinais de fenômenos patológicos significativos. Na análise molecular os níveis de colágeno foram aumentados e se mostraram mais densos em comparação com a pele normal, ao longo do período de estudo de 7 meses. Para o colágeno do Tipo 1 os aumentos foram de (19,31 ± 7,13 vezes maiores) e TGF-b1 (6,12 ± 1,91), esses aumentos foram estatísticamente significativos. Após 3 meses, as expressões do colágeno Tipo I e TGF-b1 foram, respectivamente, 7,70 ± 3,53 e 1,62 ± 0,31 e o aumento foi mantido até o final do estudo, aos 7 meses o colágeno do Tipo I apresentava 2,31 ± 1,17 e o TGF-b1 1,37 ± 0,26 vezes maior do que a pele normal. Os autores concluíram que os resultados sugerem que o implante de fio farpado monodirecional induz forte ancoragem ao tecido cutâneo.

A análise quantitativa do colágeno e de sua molécula de sinalização TGF-b1 oferece suporte à durabilidade do fio a longo prazo. Os autores esperam um potencial efeito benéfico para o rejuvenescimento em sua aplicação clínica, já que os resultados sugerem que o efeito clínico dos fios absorvíveis permanece após a absorção completa do fio implantado.

Em outro estudo, de 2018, com 4 porcos da raça pigmeu da variedade White Yucatan (com pele que mais se assemelha à estrutura da pele humana) Yonn et al. (2018) tinham o objetivo de determinar quais mudanças ocorrem no tecido ao longo do tempo, utilizando uma sutura PDO USP 4-0 não farpados de 9 cm em uma agulha 25 G. Os fios foram inseridos na gordura subcutânea e após 4, 12, 24 e 48 semanas amostras de tecido foram obtidas para a análise histológica. Os resultados observados foram agrupados em 5 categorias de acordo com a alteração tecidual:

  • 1. Tecido conjuntivo fibroso recém-desenvolvido
  • 2. Fusão com o tecido conjuntivo fibroso existente
  • 3. Contração do tecido pela atividade dos miofibroblastos
  • 4. Aumento do tamanho do vaso capilar
  • 5. Redução da espessura da camada de gordura por desnaturação das células.

Os resultados listados na Tabela 2 foram descritos a seguir:

  • 1. O fio mantém sua forma por 12 semanas, fragmenta-se em 24 e está totalmente dissolvido em 48 semanas,
  • 2. A produção de colágeno dura mais de 48 semanas.
  • 3. O tecido de granulação dura mais de 48 semanas. E podemos observar uma reação de corpo estranho com formação de nódulos indesejados em alguns casos.
  • 4. A inflamação da injeção do fio dura de 4 a 12 semanas.
  • 5. Há um aumento e uma união dos tecidos conjuntivos fibrosos com o tecido conjuntivo fibroso pré-existente, fortalecendo a camada de gordura subcutânea. Esse achado foi observado por mais de 48 semanas e esse efeito vai durar mais de 1 ano.
  • 6. Os miofibroblastos estão associados com o processo de cicatrização e com a contração da ferida e foram observados entre 0 e 12 semanas.
  • 7. A proliferação de fibroblastos ocorre entre 0 e 24 semanas.
  • 8. Aumento da capilaridade
  • 9. Redução da camada de gordura. A duração deste efeito é superior a 48 semanas.

Os autores concluíram que o fio de PDO causa efeitos físicos e alterações específicas nos tecidos circundantes, esses resultados explicam as mudanças relatadas em estudos de pesquisa clínica anteriores.

Em um estudo com 10 ratos Sprague Dawley com 8 semanas de idade nos quais foram inseridos quatro fios diferentes de PDO (mono, bi, quad, mola) e um fio de ácido polilático (PLA) monofilamentar, com o objetivo de avaliar a produção de colágeno e a histopatologia. As peles dorsais dos ratos foram divididas em cinco compartimentos diferentes e amostras de tecido foram obtidas com 1, 2 e 12 semanas. Shin et al. (2019) observaram que, todos os fios estavam sem deformação estrutural por até 12 semanas e que a inflamação foi maior durante as duas primeiras semanas e diminuiu com o tempo. Com relação a formação de colágeno, quanto maior o número de fios maior a formação de colágeno tipo I em 2 semanas. A produção de Col1α1(colágeno tipo1) no fio de PDO quad foi a maior após duas semanas e os de PLA de fita simples foi semelhante e melhor do que os outros fios de PDO.

A produção de Col1α3 (colágeno tipo 3) foi maior no fio de PLA de fita simples do que nos outros fios de PDO, com resultados semelhantes ao fio de PDO quad, porém os fios de PDO multifilamentados apresentaram maior quantidade de capsulas fibrosas. O fio monofilamentado teve maior facilidade de inserção, em relação aos fios multifilamentados. Apesar dos fios múltiplos oferecerem maior resistência à tração e menor absorção, podem levar a maior fonte de infecção e formação de cicatrizes devido ao seu maior diâmetro. Os autores concluíram que o aumento do número de fios leva a mais síntese de colágeno, o pico da produção de colágeno foi em 2 semanas e se manteve aumentado até 3 meses. Os fios mono-PLA mostraram resultados melhores do que os fios mono-PDO, e com resultados semelhantes ao PDO quad, enquanto o fio de mola de PDO foi a menos eficaz.

Kapicioglu et al. (2019) realizaram um estudo com 30 ratas Wistar Albinas, com o objetivo de comparar as alterações histológicas, histomorfométricas e microscópicas eletrônicas dos fios de PDO Cog (polidioxanona) e PLLA (ácido poli-L-láctico) com intervalos de 1, 3 e 6 meses. Os espécimes foram divididos em três grupos (n=10), um grupo controle, um grupo PDO e um grupo PLLA. No primeiro mês os resultados mostraram que houve um aumento na espessura dérmica e no número de fibroblastos nos dois grupos comparados ao grupo controle. A diferença foi estatisticamente significativa no grupo PLLA (p: 0,019) e não significativa no grupo PDO (p: 0,245) quando comparados ao grupo controle. Com 3 e 6 meses foi observado que a espessura dérmica (p: 0,002) e o número de fibroblastos (p: 0,001) foram semelhantes nas amostras obtidas nos grupos PLLA e PDO, e os resultados foram significativamente melhorados em comparação com o grupo controle nos dois grupos, porém não entre eles. Com relação ao número de fibrilas de colágeno e a densidade do colágeno, não houve diferenças significativas entre os 3 grupos no 1 mês, aumentos significativos foram observados no grupo PLLA em comparação com os grupos PDO e controle em 3 e 6 meses (Gráfico 1). Os autores concluíram que os fios de PDO e PLLA aumentaram a espessura da derme e estimularam a produção de colágeno.

Em um estudo clínico prospectivo com análise histológica e avaliação do grau de satisfação do operador e dos pacientes, 25 pessoas foram tratadas com lifting facial do terço médio da face com fios absorvíveis farpados bidirecionais compostos inteiramente por ácido poli-L-láctico (PLLA) e poli-L-glicólido (PLGA), com o objetivo de avaliar a estimulação do colágeno através de biópsia por punção e a melhoria na profundidade dos sulcos nasolabiais. As avaliações objetivas foram realizadas pelos pacientes e pelo investigador utilizando a escala foto-numérica (Escala de Avaliação de Rugas Nasolabial de cinco pontos – NLF-WAS) que possui os seguintes descritores: perceptíveis, rasos, moderadamente profundos, profundos com bordas definidas ou muito profundos com dobras redundantes, no período de 30, 60, 90, 180 e 270 dias. Os resultados mostraram que 17 de 25 pacientes completaram a porção de colagênese do estudo. A deposição de colágeno foi aparente no dia 90 e aumentou significativamente em comparação com a linha de base nos dias 180 e 270 (Gráfico 2).

Goldberg (2020) concluiu que, suturas de suspensão absorvíveis estimulam o colágeno em áreas imediatamente adjacentes ao trajeto do monofilamento PLLA / PLGA e cones, fornecendo suporte mecânico para melhora da aparência observada em estudos clínicos. Essa neocolagênese, juntamente com o reposicionamento pelos cones de sutura, torna as suturas de suspensão absorvíveis uma ferramenta valiosa para pacientes que buscam o rejuvenescimento facial.

Cho et al. (2021) realizaram um estudo histológico in vivo com amostras obtidas em 1, 4 e 8 semanas com 30 camundongos sem pelo que foram divididos em 5 grupos (n=6), cada um com um tipo de fio monofilamentado: policaprolactona PCL novo, policaprolactona PCL comum, polidioxanona PDO, ácido poli-L-láctico PLLA e um grupo de controle negativo, com o objetivo de comparar a eficácia do novo modelo de fio de policaprolactona com relação à síntese de colágeno e melhora de rugas com outros fios disponíveis comercialmente. Os resultados mostraram que a neocolagênese aumentou significativamente nos grupos PCL novo e PCL comum em 8 semanas (Gráfico 3).

Além disso, o grupo PCL novo mostraram um aumento significativo nas expressões de colágeno tipo III e TGF-β em 8 semanas. O número de células inflamatórias também aumentou na pele de camundongos implantados com PCL em 8 semanas. Finalmente, as rugas foram reduzidas em cerca de 20% no novo grupo PCL em 8 semanas. Os autores concluíram que o novo fio PCL exibiu um efeito de rejuvenescimento da pele superior.

3.3 GRAU DE SATISFAÇÃO

Suh et al. (2015) realizaram um estudo clínico retrospectivo revisando prontuários de 31 pacientes com idade média de 44,13 anos submetidos a tratamento com fios dentados bidirecionais de poliodioxanona (PDO). A pesquisa tinha o objetivo de avaliar a eficácia e segurança do tratamento e consistiu: de uma autoavaliação subjetiva dos pacientes com escala “excelente”, “bom” e “insatisfeito” com relação a satisfação geral, e, por uma avaliação de fotografias digitais clínicas pré e pós-operatórias realizadas por 2 médicos não envolvidos nos procedimentos, com escala “excelente”, “bom”, “razoável” e “ruim” para os critérios melhora da textura da pele e elevação dos tecidos.

Os resultados da autoavaliação dos pacientes mostraram que, dos 27 que responderam o questionário, 87% consideraram o tratamento satisfatório (61% excelente, 21% bom e 13% insatisfeito), com relação a avaliação com fotografias, 41,9% foram considerados como excelente, 29% bom, 25% regular e 3,2% ruim para o critério melhora da textura da pele, já para o critério elevação dos tecidos, 35% foram avaliados como excelente, 19% bom, 16,1% regular e 29% ruim. Os autores concluíram que o tratamento facial com fios dentados bidirecionais de PDO é um procedimento seguro e eficaz quando realizado em pacientes com flacidez facial modesta, rugas finas e poros faciais marcados, apresentando complicações menores que se resolveram em 2 semanas.

Em um estudo clínico prospectivo comparativo com 63 pacientes divididos em 3 grupos (n=21), tratados com fio farpado 4D absorvível de polidioxanona (PDO) de calibre 18, 19 e 21 utilizado isoladamente (grupo 1), fio em combinação com outros métodos de rejuvenescimento facial (Ác Hialurônico ou toxina botulínica ou plasma rico em plaquetas – PRP) (Grupo 2) e os 3 métodos de rejuvenescimento facial juntos, sem fio (Grupo 3), com o objetivo de avaliar complicações, avaliação do grau de levantamento da pele em milímetros (HEL. SCORE) e satisfação do paciente ao longo do acompanhamento de 2 anos.

Os resultados observados mostraram complicações em 4,8% dos casos em todos os grupos, um levantamento de pele considerável variando de 3 a 10 mm de longa duração nos grupos 1 e 2, no grupo 3 o levantamento de pele foi observado até o 6º mês e, depois que o efeito dos métodos de rejuvenescimento sumiu, voltou a zero assim como a satisfação dos pacientes diminuiu, nos grupos 1 e 2 o alto grau de satisfação dos pacientes se manteve (Gráfico 4). Ali (2017) concluiu que, rejuvenescimentos faciais significativos são obtidos pelo levantamento de fios e melhores resultados são observados quando combinados com Botox, preenchedores e / ou rejuvenescimento com plasma rico em plaquetas (PRP).

Ogilvie et al. (2018) realizaram um estudo clínico prospectivo em 100 pacientes tratados para envelhecimento facial e do pescoço com lifting facial de fio absorvível compostos de poliglicólido/L-lactídeo (PLGA) com cones de glicolídeo lactídeo, 82% L-ácido láctico e 18% copolímero glicólico (Silhouette Instalift), com o objetivo de avaliar a segurança, eficácia e satisfação dos pacientes. As avaliações foram feitas por dois avaliadores (o próprio cirurgião e outro independente) usando fotografias e a Escala Fotométrica de Déficit de Volume da Face Média de Allergan no período pré, 2 semanas (procurando sinais de complicações de vaidade), 3 e 6 meses (considerando o rejuvenescimento facial geral, a adequação dos resultados e a melhora nos déficits de volume médio-facial) após o procedimento e com questionário preenchidos anonimamente pelos pacientes 1 semana após o procedimento para avaliar a experiência e a satisfação geral e outro 3 meses após o procedimento para avaliar a eficácia.

Os resultados mostraram que, na avaliação fotográfica não foi observado nenhum edema persistente, apenas equimoses visíveis leves em 6,7% dos pacientes (n = 6). Em 22,5% dos pacientes (n = 20) foi observada melhora inadequada na região do pescoço. Com relação a Escala de déficit de volume, o déficit inicial variou de 1 a 5, com média de 3 (déficit moderado) e o déficit final variou de 0 a 4, com um média de 2 (déficit leve) demonstrando que em média, os déficits de volume melhoraram um grau na escala. Com relação aos questionários respondidos pelos pacientes os resultados mostraram que vinte e oito pacientes responderam ao primeiro questionário e entre esses, 96% consideraram o procedimento tolerável, 89% consideraram o desconforto controlável, 68% perceberam uma melhora imediata nas mudanças relacionadas à idade, 79% estavam bastante satisfeitos com sua experiência. O segundo questionário foi respondido por Quarenta e sete pacientes, onde 83% consideraram que o tratamento foi eficaz para melhorar as alterações relacionadas com a idade, 32% dos pacientes não viram nenhum resultado imediato, no entanto, esse número diminuiu para 17% em três meses. Os autores concluíram que a suspensão com fio absorvível gera alta satisfação dos pacientes, principalmente nos que apresentam ptose leve e moderada.

Em 2018, Lee et al. realizaram um estudo clínico retrospectivo abrangendo um período de acompanhamento pós-operatório médio de 12 meses, utilizando o prontuário de 35 pacientes asiáticos submetidos a lifting facial com 5 fios de polidioxanona (PDO) dentados em espiral 360° de cada lado da face, com o objetivo de descrever e avaliar os resultados do rejuvenescimento facial. Os resultados foram avaliados de forma objetiva por dois avaliadores não envolvidos nos procedimentos por meio de fotografia e de forma subjetiva com questionário de satisfação dos pacientes. Trinta e três (94,3%) ficaram satisfeitos com os resultados.

Os resultados objetivos foram categorizados como excelentes (68,6%), muito melhorados (25,7%), melhorados (5,7%), sem mudanças (0%) e piores (0%). Os resultados subjetivos foram categorizados como excelentes (54,3%), muito bons (31,4%), bons (8,6%), regulares (5,7) e ruins (0%). A incidência de complicações foi baixa e se resolveram espontaneamente. Os autores concluíram que com a técnica, houve o rejuvenescimento facial desejado com excelente taxa de sucesso em pacientes com frouxidão de grau moderado.

Em um estudo clínico prospectivo com 193 pacientes com sinais médios de envelhecimento e que precisavam de um grau modesto de levantamento facial, que foram submetidos a tratamento na sobrancelha, face média, mandibular e pescoço com fio reabsorvível com cones bidirecionais (Silhouette Soft) e agulha dupla (Proma Happy Lift) acompanhados na primeira semana e no primeiro, terceiro e sexto mês após o tratamento. Os resultados foram avaliados por dois cirurgiões independentes através de fotografias e pelos pacientes com base no escore Escala de Melhoria Estética Global (GAIS), com o objetivo de avaliar a eficácia cirúrgica e os resultados do sistema de suspensão de sutura absorvível relacionados ao levantamento.

Khiabanloo et al. (2019) observaram que os locais mais comuns para o lifting facial foram, a linha da mandíbula (46,1%), face média (33,7%), sobrancelhas (12,4%) e pescoço (7,8%). Na avaliação dos pacientes a satisfação (alta e boa satisfação) aumentou de 94% (181 casos) na primeira semana para 99% (191 casos) no sexto mês, para um dos cirurgiões aumentou de 94% para 99% e para o outro aumentou de 83% (162 casos) para 98% (189 casos). Os autores concluíram que os resultados mostraram que o nível de satisfação dos pacientes e cirurgiões aumentou ao longo do tempo. Estes resultados demonstraram que o lifting facial com fio reabsorvível com cones bidirecionais para rejuvenescimento facial é um procedimento cosmeticamente aceitável, seguro e eficaz associado a pequenas complicações.

Lee et al. (2020) realizaram estudo clínico retrospectivo avaliando os prontuários de 40 pacientes submetidos a correção do sulco infraorbital utilizando fios torcidos de PDO com o objetivo de examinar a eficácia e os riscos da técnica. Os resultados do procedimento foram avaliados por dois médicos independentes usando fotografias tiradas antes do procedimento, imediatamente após e 1 e 3 meses após, utilizando o Sistema de classificação de Barton com base na análise anatômica e pontuando de acordo com a Escala de Melhoria Estética Global (GAIS) 4 “excepcionalmente melhorado”; 3 “muito melhorado”; 2 “melhorado”; 1 “sem alteração”; 0 “pior”. Os pacientes realizaram uma avaliação subjetiva utilizando a escala 3 “muito satisfeito”; 2 “satisfeito”; 1 “pouco satisfeito”; 0 “pior” realizada ao final do procedimento e 3 meses após. Todas as reações anormais ocorridas durante o teste clínico, foram incluídas nas avaliações de segurança.

A segurança foi avaliada por meio de exames físicos durante o período de testes clínicos. Os resultados mostraram que imediatamente após o procedimento, os escores médios de Barton diminuíram 1,10 (de 1,33 ± 0,47 no início do estudo para 0,23 ± 0,42 imediatamente após o procedimento) e foram mantidos na avaliação de 1 mês, na de 3 meses o escore médio foi de 1,05 pontos. As pontuações do GAIS imediatamente após o procedimento revelaram que (17,5%) “melhoraram excepcionalmente”, (67,5%) “melhoraram muito” e (15,0%) “melhoraram”. Três meses após o procedimento, (16,5%) “melhoraram excepcionalmente”, (57,5%) “melhoraram muito” e (25,0%) “melhoraram”. Nenhum dos pacientes foi classificado como pior do que a condição inicial. Imediatamente após o procedimento, (80,0%) estavam muito satisfeitos e (20,0%) satisfeitos, após três meses (27,5%) estavam “muito satisfeitos”, (50,0%) estavam “satisfeitos” e (22,5%) estavam “pouco satisfeitos”, e nenhum paciente respondeu “pior”. O evento adverso mais comum foi inchaço (12,5%), hematomas (10%), (2,5%) desconforto ao sorrir e (2,5%) irregularidade nodular (2,5%). Os autores concluíram que a inserção de múltiplos fios de PDO torcidos pode ser uma modalidade alternativa para a correção do sulco infraorbital. No entanto, recomenda-se a avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios dessa abordagem e sua aceitação na prática de rotina.

Em outro estudo de 2020, Kang et al. realizaram estudo clínico retrospectivo em 31 pacientes acompanhados durante 6 meses que receberam procedimento de rinoplastia não cirúrgica com o objetivo de avaliar a segurança e eficácia da técnica de abordagem combinada de fios de polidioxanona (PDO) dobrados em forma de cunha associados a preenchedores de ácido hialurônico (HA). Os resultados foram avaliados objetivamente por 2 dermatologistas independentes usando fotografias tiradas antes dos procedimentos e 6 meses após, usando uma Escala de Melhoria Estética Global (GAIS) de 5 pontos, os mesmos também mediram o ângulo nasolabial utilizando um programa de computador disponível comercialmente. Uma avaliação subjetiva usando a escala: “excelente”, “muito bom”, “bom”, “regular” ou “ruim” foi respondida pelos pacientes. Na avaliação objetiva os resultados foram 38,7% “muito melhor”, 32,2% “melhor” e 25,8% “melhorado”. A média do ângulo nasolabial foi de 88,5° antes do procedimento e 94,8° em 6 meses, um aumento médio de 6,3° (aumento percentual de 7,6%).

Na avaliação subjetiva 93,5% consideraram os resultados satisfatórios, 45,2% excelente, 38,7% muito bom e 9,7% bom. A incidência de complicações foi baixa. Os autores concluíram que a técnica pode ser segura e eficaz, mantendo bons resultados 6 meses após o procedimento. Os fios são especialmente úteis para levantar a ponta do nariz, contribuindo para uma aparência nasal mais harmoniosa e agradável ao modificar o ângulo columela-labial.

Em estudo clínico prospectivo com 25 pacientes tratados com lifting facial do terço médio da face com fios absorvíveis de PLLA observou nos resultados que houve melhora significativa em todos os pontos de tempo pós-tratamento ao longo de 270 dias. Não foram relatados eventos adversos graves. Dos 25 pacientes inscritos, 10 indivíduos relataram vermelhidão leve, 5 indivíduos relataram inchaço leve e nenhum hematoma foi observado (Goldberg, 2020).

Khiabanloo et al. (2020) realizaram um estudo clínico prospectivo com 58 pacientes submetidos a lifting facial com fio absorvível farpado de Policaprolactona – PCL (APTOS) acompanhados na primeira semana, terceiro e sexto mês, os resultados foram avaliados através de fotografias por dois cirurgiões (o próprio cirurgião e um outro independente) e pelos pacientes com base no escore GAIS, com o objetivo de avaliar a eficácia cirúrgica e os resultados relacionados à parte média da face, mandíbula, pescoço (e queixo duplo) e elevação do nariz. Os resultados mostraram que, os locais mais comuns para a cirurgia de lifting facial foram na região média da face e mandibular (N = 45, 77,5%), pescoço (N = 10, 17,3%) e nariz (N = 3, 5,2%). A satisfação dos pacientes (excelente, muito boa e boa) em momentos diferentes, 1 semana, terceiro mês e 6 meses foi de 81% (n = 47), 88,7% (n = 55) e 79,3% (n = 46), respectivamente. A avaliação do cirurgião que realizou o procedimento aumentou de 90,7% (primeira semana) para 94,8% (sexto mês), e a do cirurgião independente aumentou de 93,1% (primeira semana) para 94,8% (sexto mês) (Tabela 3). A maior taxa de complicações potenciais após a cirurgia foi relacionada a equimoses (17 casos, 30%), seguida por complicações de dor (N = 10, 17,2%), tumefação (N = 4, 6,9%) e covinhas (N = 1, 1,7%) foram relatados. Os autores concluíram que os resultados mostraram que a satisfação dos pacientes e cirurgiões aumentou ao longo do tempo (após 6 meses). Complicações pós-operatórias (menores) também foram avaliadas e equimoses foi considerada a complicação mais comum. No entanto, a proporção de complicações pós-operatórias foi relativamente baixa.

Em um estudo clínico retrospectivo com 46 pacientes tratados com a técnica de suspensão craniana de acesso mínimo (MACS) para levantamento facial utilizando fio elástico (Elasticum) não absorvível composto de um núcleo de silicone e uma bainha de poliéster com o objetivo de avaliar os resultados e a segurança da terapia combinada no rejuvenescimento da região média da face e mandibular superior. Foram utilizadas várias escalas para avaliação dos resultados.

O grau de elevação dos pontos A e B após a cirurgia imediatamente, a pontuação da Escala de classificação de gravidade de rugas (WSRS) imediatamente, 6 e 12 meses, avaliada através de fotografias pré e pós-operatórias, por três avaliadores independentes e a escala de satisfação de Likert (excelente, muito bom, bom, regular e ruim) foram avaliados pelos pacientes imediatamente, 6 e 12 meses após o procedimento. Complicações durante o estudo também foram registradas. Os resultados mostraram que na avaliação de elevações dos pontos A e B, no lado direito foi de 2,4 ± 0,4 cm para o ponto A e 1,6 ± 0,6 cm para o ponto B e no lado esquerdo foi de 2,5 ± 0,3 cm para o ponto A e 1,8 ± 0,5 cm para o ponto B. Na pontuação média WSRS para a face esquerda foi 4,0 ± 0,8 para a linha de base pré-operatória, 2,0 ± 0,8 imediatamente, 2,8 ± 0,7 em 6 meses e 3,1 ± 0,8 após 1 ano e para a face direita, 4,1 ± 0,9 pré-operatória, 2,0 ± 0,8 imediatamente, 2,9 ± 0,7 em 6 meses e 3,1 ± 0,7 após 1 ano.

O grau de melhora, quando comparado à linha de base pré-operatória, foi estatisticamente significativo. Quarenta e cinco (97,8%) pacientes ficaram satisfeitos com o resultado imediatamente após o procedimento, 41 (89,1%) com 6 meses e 39 (84,8%) no acompanhamento de 1 ano. Não houve complicações maiores durante o período de acompanhamento. Os autores Yu et al. (2020) concluíram que o elevador MACS modificado com fio elástico é um método minimamente invasivo, eficaz e seguro para rejuvenescer o terço médio e inferior da face sem morbidade ou complicações pós-operatórias significativas. Um alto nível de satisfação do paciente também é alcançado.

Em 2020, El-Mesidy, Alaklouk e Azzam realizara um estudo clínico prospectivo com 20 pacientes apresentando sulco nasolabial proeminente divididos aleatoriamente em 2 grupos (n=10), com o objetivo de comparar a eficácia da injeção de ácido hialurônico (Emervel deep – Restyalane ® de preenchimento reticulado) e do lifting de fio de PDO (4D multidirecionais – SENSCO®), com acompanhamento de 1 e 2 meses. As avaliações foram realizadas por um avaliador cego ao procedimento, com fotografias antes e depois e utilizando a escala de classificação de gravidade de rugas (WSRS), a escala de rugas de Fitzpatrick modificada (MFWS) e a melhora estética global média (GAIS) e pelos pacientes, utilizando uma escala de satisfação de 3 pontos (muito satisfeito, satisfeito ou insatisfeito) nos dias 30 e 60. Os resultados mostraram no grupo do preenchedor que, de acordo com a escala (WSRS) houve diminuição da média 3,8 ± 0,91 para 2,8 ± 0,91 após 1 mês e 2,3 ± 1,16 após 2 meses com uma diferença estatisticamente significativa em comparação com a linha de base, 30% apresentaram rugas ausentes, 30% leves, 20% moderadas, 20% graves e 0% extremas, dez pacientes apresentaram melhora em 1 grau após 1 mês e cinco pacientes permaneceram os mesmos após o segundo mês, enquanto cinco pacientes apresentaram melhora em outro grau após o segundo mês.

De acordo com a escala (MFWS) diminuiu da média de 2,5 ± 0,5 para 1,9 ± 0,46 após 1 mês e 1,6 ± 0,61 após 2 meses com uma diferença altamente significativa em comparação com a linha de base, 40% tornaram-se grau 1, 20% 1.5, 20% 2, 20% 2.5 e 0% 3, nove pacientes apresentaram melhora em 1 grau após 1 mês e após o segundo mês, quatro pacientes permaneceram mesmo enquanto seis pacientes apresentaram melhora em outro grau. De acordo com a escala (GAIS) nenhum paciente apresentou grau 4 ou 5, dois pacientes apresentaram grau 1 (20%), 4 pacientes apresentaram grau 2 (20%) e 4 pacientes grau 3 (40%). Sua escala de melhora estética global média (GAIS) foi de 2,2 ± 0,79. Não houve efeitos colaterais. Na avaliação da satisfação dos pacientes, 70% ficaram satisfeitos. No grupo do lifting com fios, na escala (WSRS) houve diminuição da média de 3,5 ± 0,85 para 3 ± 0,94 após 1 mês e 2,9 ± 0,99 após 2 meses com uma diferença estatisticamente significativa após o tratamento, 40% apresentaram grau leve, 40% moderado, 10% grave e 10% extremo, cinco pacientes apresentaram melhora em 1 grau após 1 mês e nove pacientes permaneceram os mesmos após o segundo mês, enquanto apenas um paciente apresentou melhora em outro grau após o segundo mês.

Na escala (MFWS) diminuiu da média de 2,25 ± 0,42 para 2 ± 0,47 após 1 mês e 1,95 ± 0,49 após 2 meses com uma diferença estatisticamente significativa após o tratamento, 40% mostraram grau 1.5, 40% grau 2, 10% 2.5 e 10% 3, cinco pacientes mostraram uma melhora em 1 grau após 1 mês e nove pacientes permaneceram os mesmos após o segundo mês enquanto apenas um paciente apresentou melhora em outro grau após o segundo mês. Na escala (GAIS) nenhum paciente apresentou grau 1 ou 5, três pacientes apresentaram grau 2 (30%), dois pacientes apresentaram grau 3 (20%) e cinco pacientes apresentaram grau 4 (50%), a média foi de 3,2 ± 0,92. Foi registrado dor no ponto de entrada em seis pacientes (60%), enquanto 40% estavam sem dor.

Na avaliação do grau de satisfação dos pacientes 30% estavam satisfeitos. Na comparação entre os dois grupos a escala (WSRS) não mostrou diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos após a terapia, a escala (MFWS) não mostrou diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos após a terapia, a escala (GAIS) apresentou diferença estatisticamente significante após o tratamento favorecendo o grupo de preenchimentos e de acordo com a escala de satisfação mostrou diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos. Os autores concluíram que embora melhores resultados tenham sido alcançados usando os preenchimentos quando em comparação com os fios, não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos no final do estudo ao usar WSRS e MFWS. No entanto, ao usar a escala de melhora estética global houve melhora estatisticamente significativa favorecendo o grupo de preenchimentos.

3.4 COMPLICAÇÕES

Winkler et al. (2006) descreveram dois casos de complicações com fio monofilamento farpado de polipropileno (Aptos). No primeiro caso houve uma laceração do ducto de Stensen e no outro uma inflamação crônica. Ambos os casos foram tratados com intervenção cirúrgica. Os autores discutem que, na literatura são raras as complicações graves com o uso de fio para levantamento facial, porém descrever complicações pode ensinar mais aos cirurgiões plásticos sobre este método e como evitar efeitos colaterais devastadores semelhantes no futuro.

Kim et al. (2020) relataram uma série de 7 casos de complicações suaves a severas, em pacientes que realizaram procedimentos de rinoplastia com fios de polidioxanona (PDO). Todos os pacientes tinham história de procedimento de rinoplastia anterior, tais como matriz dérmica acelular (ADM), preenchimento com silicone, politetrafluoroetileno expandido (e-PTFE), implantes de polietileno poroso, e preenchedor desconhecido. Três pacientes apresentaram complicações graves com feridas abertas, abscessos e necrose da pele. Quatro pacientes apresentaram complicações leves, incluindo vermelhidão e exposição dos fios sem feridas abertas. Os autores hipotetizaram 5 teorias sobre as causas das infecções. Primeiro, o corpo estranho inserido anteriormente causa efeitos sinérgicos aumentando em 103 vezes a taxa de infecção quando existe corpo estranho. Em segundo lugar, o fio PDO aumenta a síntese de colágeno, as reações de corpo estranho e a rigidez da pele.

Quando utilizado em um pequeno número de fios a expansão do volume é limitada, no entanto a utilização de 20 a 40 fios de PDO tornam o procedimento altamente vulnerável à infecção. Terceiro, os procedimentos provavelmente ocorreram sem preparação asséptica. Não houve menção ao método de preparação asséptica em nenhum dos textos sobre os procedimentos utilizados para a inserção do PDO na medicina tradicional oriental. Portanto, o risco de infecção aumenta.

Além disso, o biofilme que se forma ao redor de corpos estranhos impede que as infecções sejam controladas. Quarto, o fio PDO geralmente permanece no local por quase seis meses e, eventualmente, se degrada em dióxido de carbono e água. A taxa de absorção é relativamente alta, o que indica que a reação inflamatória ao redor do fio PDO também é alta. Por último, o nariz é um órgão aerodigestivo e está sempre exposto a patógenos, como característica anatômica a cartilagem que constitui a estrutura nasal é muito vulnerável a infecções.

Nesses relatos, todas as infecções ocorreram na área da ponta nasal ou próximo a ela. Como essa área tem uma circulação relativamente pobre em comparação com outras partes do nariz, acredita-se que seja altamente vulnerável a infecções. Os autores concluíram que nos exames de ultrassonografia e tomografia computadorizada, outros implantes podem ser vistos, mas os fios PDO não podem ser visualizados com esses métodos. O fio PDO pode causar infecções graves, como formação de abscesso com feridas abertas, especialmente em pacientes com implantes instalados anteriormente. O melhor é não fazer rinoplastia com fio PDO para pacientes que fizeram implantes por causa dos potenciais efeitos colaterais.

Como o fio PDO se degrada quase completamente em seis meses, o fio não causa uma reação de corpo estranho de longa duração. Para infecções graves, a remoção do implante e desbridamento maciço provavelmente seriam necessários. Para infecções leves sem feridas abertas, o tratamento conservador com antibióticos que podem tratar Staphylococcus aureus resistente à meticilina é recomendado.
Guduk & Karaca (2018) realizaram um estudo retrospectivo com período médio de acompanhamento de 22 meses (variação: 6–36 meses) avaliando 321 pares de fios absorvíveis compostos de ácido poli-L-láctico (PLLA) fixado com cones de poli-lactídeo/glicolídeo (Silhouette Soft) instalados em 148 pacientes (feminino: 142, masculino: 6) com média de idade de 44,5 anos (variação: 21-67 anos) com o objetivo de avaliar as complicações do tratamento.

Os autores observaram que 27% dos pacientes tiveram complicações consideradas mínimas ou moderadas, sem sequelas permanentes, 11,4% apresentaram ondulações e irregularidades na pele, sendo essa a complicação mais comum, seguida por equimoses 8,1%, dor 2,7% e extrusão de sutura 2,7% (Tabela 4). As ondulações desapareceram em todos os pacientes em 3-7 dias espontaneamente, exceto em um paciente, todas as outras complicações desapareceram espontaneamente no período 3 meses. Os autores concluíram que o procedimento avaliado é relativamente seguro e sem complicações maiores.

Niu et al. (2021) realizaram uma meta-análise e revisão sistemática com 26 artigos que incluíram 8190 pacientes apresentando 642 casos de complicações (7,84%) com o objetivo de estimar as incidências de complicações e comparar as taxas de satisfação no curto e longo prazo dos procedimentos de lifting facial com fios. Foi observado que o inchaço foi a complicação mais comumente relatada com uma incidência combinada de 35%, seguida por ondulações na pele (10%), parestesia (6%), visibilidade/palpabilidade do fio (4%), infecção (2%) e extrusão do fio (2%). Os fios absorvíveis foram associados a menor risco de parestesia (3,1% vs. 11,7%) e extrusão (1,6% vs. 7,6%) do que fios não absorvíveis. Pacientes com mais de 50 anos tiveram um risco significativamente maior de apresentar ondulações (16% vs. 5,6%) e infecção (5,9% vs. 0,7%) do que os mais jovens.

A taxa de satisfação a longo prazo diminuiu significativamente com o tempo (88% vs. 98%). Os autores concluíram que fios não absorvíveis e idade avançada dos pacientes estão associados a maiores riscos de complicações. Portanto, recomendamos o uso criterioso de fios não absorvíveis em pacientes com mais de 50 anos para lifting facial e deve ser discutido com os pacientes no pré-operatório, que o efeito de rejuvenescimento pode não se manter a longo prazo.

4. DISCUSSÃO

A procura pelo tratamento de lifting facial com fios tem aumentado muito nos últimos anos devido aos seus bons resultados clínicos e por ser um tratamento minimamente invasivo. Devido a esse aumento na procura, muitos estudos foram realizados nos últimos anos para melhor compreender os mecanismos de ação desses materiais.

Lin et al. (1993) mostraram que os fios absorvíveis são hidrofílicos e o processo de degradação acontece por hidrólise. Nesse estudo in vitro, que utilizou fios de PDO, a maior alteração de forma e peso, devido a degradação, foram observadas entre os dias 120 e 180, e as mudanças na orientação molecular começaram aos 90 dias e duraram até os 180 dias, essas observações correspondem aos mesmos intervalos observados no estudo clínico com ratos de Yoon et al. (2018), onde a fragmentação do fio de PDO foi observada com 168 dias (24 semanas) e, com 336 dias (48 semanas) já não havia sinal da presença do fio nos tecidos, porém esse intervalo de hidrólise pode ser alterado de acordo com o tipo de fio, como mostrou o estudo de Wong (2021) onde foi descrito que os fios de PCL sofrem 40% de degradação por hidrólise em 18 meses (540 dias) e os de PDO e PLLA estão totalmente hidrolisados no mesmo período.

Novamente no estudo de Lin et al. (1993) os autores observaram que, apesar de estruturalmente não ser observada nenhuma mudança entre 14 e 28 dias, houve uma perda de 67% da sua força de ruptura, porém nos estudos clínicos com animais, essa observação parece não ter efeito negativo. Uma explicação para esse efeito pode ser deduzida do trabalho de Kim et al. (2017) que avaliaram histologicamente o efeito dos fios de PDO nos tecidos e observaram que uma cápsula fibrosa se formou ao redor do fio no intervalo de 1 a 3 meses e a mesma foi substituída por tecido conjuntivo em 7 meses, observaram ainda o aumento significativo nos níveis de colágeno e de fator de crescimento transformador beta 1 (TGF-b1) levando os autores a concluírem que, mesmo após a hidrólise do fio, os efeitos de tracionamento são mantidos devido a formação aumentada de colágeno e TGF-b1, porém uma observação importante apresentada por Aitzetmueller et al. (2019) deve ser considerada com relação a capacidade de tensão e também na formação de colágeno, esses autores observaram que apesar dos fios testados terem agulha de 21 gauge, o diâmetro dos mesmos variava de 0,3 a 0,4 mm o que influenciou significativamente os testes de tensão. Além disso em contraste com as propriedades divulgadas pelos fabricantes, as forças máximas na ruptura apresentaram diferenças altamente significativas entre quase todos os produtos.

A neocolagênese induzida por fios foi observada em vários estudos clínicos, porém os níveis são alterados de acordo com o número de fios, que leva a mais síntese de colágeno (Shin et al. 2019) e ao tipo de material que compõe o fio, onde os fios de PLLA apresentaram resultados melhores do que os fios de PDO (Shin et al. 2019; Kapicioglu et al. 2019) e os fios de PCL apresentaram resultados melhores do que PLLA e PDO (Cho et al. 2021), porém devemos levar em consideração novamente, o estudo de Aitzetmueller et al. (2019) que observaram diferenças significativas na atividade metabólica entre os 6 fios testados, demonstrando que a qualidade da matéria prima pode variar drasticamente com efeitos bastante negativos.

O tempo de duração dos níveis aumentados de colágeno no tecido também está fortemente relacionado ao tempo de duração do efeito do tratamento do lifting facial, e esse período é influenciado pela quantidade de neocolagênese e consequentemente pela quantidade e tipo do material utilizado no fio.
Segundo Wong (2021) os resultados dos tratamentos com fio de PCL duraram mais de 540 dias, e com 56 dias de observação a área com níveis de colágeno aumentados estavam maiores nos fios de PCL do que nos de PLLA que, por sua vez, estavam maiores do que o de PDO (Cho et al. 2021); altos níveis de colágeno foram observados durante os 180 dias de avaliação do estudo de Kapicioglu et al. (2019) com diferenças significativas entre o PLLA (níveis maiores) e o PDO (níveis menores), no entanto os níveis foram equivalentes entre o PDO quad e o PLLA monofilamento durante os 90 dias de observação do estudo de Shin et al. (2019) e continuaram altos após os 270 dias de observação do estudo clínico em humanos de Goldberg (2020) com pico de neocolagênese aos 180 dias com fios de PLLA.

Os resultados clínicos dessa neocolagênese mantida durante longos períodos faz com que os tratamentos de lifting facial com fios tenham altos índices de satisfação, tanto em avaliações subjetivas quanto objetivas.

Estudos que utilizaram questionários com critérios subjetivos e objetivos para avaliar o grau de satisfação, mostraram que na avaliação subjetiva, ou seja, do ponto de vista dos pacientes, os tratamentos com fios foram classificados com os melhores índices das escalas utilizadas em cada estudo, mostrando altas avaliações, independentemente do tipo de fio utilizado (Suh et al., 2015; Lee et al., 2018; Lee et al., 2020 e Ali, 2017) que utilizaram fios de PDO, encontraram grau de satisfação variando entre 50 a 80%, com fio de PLLA foram encontrados índices de 68 a 83% (Ogilvie et al., 2017), e, para fios elásticos não absorvíveis (Yu et al. 2020) encontraram resultados variando entre 84,8 a 97,8% de satisfação. Porém nos estudos de Khianbanloo et al. (2019) com fios de PLLA e Khianbanloo et al. (2020) com fios de PCL, os índices variaram entre 40,4 a 70% e 67,2 a 72,4% classificados apenas como bons, respectivamente.

Quando o lifting facial com fio é comparado com ácido hialurônico, os resultados encontrados por El-Mesidy, Alaklouk e Azzam (2020) foram melhores para o ácido hialurônico com satisfação subjetiva de 70% contra 30% para o tratamento com fios, porém o acompanhamento desse estudo foi de apenas 2 meses, e na avaliação objetiva os resultados não tiveram diferença estatisticamente significativa, apesar de serem pouco melhores para o ácido hialurônico. Porém, quando o tratamento com fio é associado a algum outro tratamento rejuvenescedor os resultados parecem ser melhores, Kang et al. (2020) associou fio de PDO com ácido hialurônico e obteve grau de satisfação “excelente” de 45,2 % após 6 meses de acompanhamento, já Ali (2017) comparou fio de PDO utilizado sozinho, associado com algum outro tratamento rejuvenescedor (ácido hialurônico ou toxina Botulínica ou PRP) e apenas a associação dos outros tratamentos rejuvenescedores sem fio, e concluiu que a associação entre fio e algum outro tratamento rejuvenescedor obteve os melhores resultados com satisfação alta durante os 2 anos de acompanhamento, enquanto que o fio utilizado isoladamente, obteve alta satisfação nos 6 meses iniciais e depois diminuiu e o tratamento rejuvenescedor durou apenas 3 meses.

Na avaliação objetiva, ou seja, realizada por pesquisadores, diversas escalas e critérios foram utilizados e não eram uniformes, variando entre escalas com critérios subjetivos não definidos (Suh et al., 2015 e Lee et al., 2018) e definidos, como a escala de melhoria estética global – GAIS (Lee et al., 2020; Khianbanloo et al., 2019; Khianbanloo et al., 2020 e Kang et al., 2020) e critérios objetivos como as escalas de Barton (Lee et al., 2020), escala de déficit de volume de Allergan (Ogilvie et al., 2017), escala de classificação de gravidade de rugas – WSRS (Yu et al., 2020; El-Mesidy, Alaklouk e Azzam, 2020) e escala de rugas de Fitzpatrick modificada -MFWS (El-Mesidy, Alaklouk e Azzam, 2020) e Hel. Score (Ali 2017).

O único estudo que avaliou textura da pele, apresentou um grau de satisfação subjetivo “excelente” de 41,9% (Suh et al., 2015). Os estudos que utilizaram critérios subjetivos para avaliação dos pesquisadores, apresentaram a soma dos índices “excelente” e “muito bom” variando de 51,7% (Khianbanloo et al., 2020), 54,9% (Suh et al., 2015), 57,5% (Khianbanloo et al., 2019), 70,9% (Kang et al., 2020), 74% (Lee et al., 2020) e 94,3% (Lee et al., 2018). Os estudos com avaliações objetivas utilizaram diferentes escalas e não é possível comparar os resultados entre eles, porém todos os estudos apresentaram melhoras no pós-tratamento.

A literatura não tem bem definido o que é considerado como reação normal pós-operatória e complicação. A maioria dos estudos classificam as reações pós-operatórias como complicações de baixa a moderada gravidade e que se resolvem espontaneamente sem nenhuma, ou com pouca intervenção. As maiores prevalências (tabela 1) foram hematomas, edemas, dor e ondulações na pele, respectivamente, esses resultados, apesar de aparentemente diferentes dos observados por Guduk e Karaca (2018) na verdade refletem resultados semelhantes, já que os autores citados relataram que apenas 27% dos pacientes tratados apresentaram complicações, sendo a maior prevalência para ondulações na pele (11,4%), o que significa que os outros 63% dos pacientes que tiveram reações pós-operatórias que foram consideradas normais e não como complicações, prova disso é que outros estudos que também observaram ondulações na pele como uma complicação apresentaram números semelhantes, tais como 8,5% (Lee et al., 2018), 2,5% (Lee et al., 2020), 28,5% (Khianbanloo et al., 2019) e 1,7% (Khianbanloo et al., 2020), e que também estão de acordo com a meta-análise realizada por Niu et al. (2021) que englobou um total de 8190 pacientes e que apresentou a ondulação na pele como a segunda maior prevalência, com 10% e a primeira foi o edema, em 35% dos casos. Os autores observaram ainda que fios não absorvíveis foi o principal fator associado a complicação de ondulação na pele, e a idade acima de 50 anos foi associada a maior risco de complicação de uma forma geral (Tabela 7).
Tabela 7 – Lista de artigos com as complicações mais frequentes.

No entanto complicações graves, apesar de raras, também estão associadas ao tratamento com fios. Winkler et al. (2006) publicaram um estudo com dois casos de complicações severas, um caso com rompimento do ducto de Stensen e outro com inflamação crônica, ambos resolvidos com intervenção cirúrgica, e Kim et al. (2020) relataram 7 casos de complicações suaves a severas em tratamentos com fios para lifting de nariz. As gravidades dos casos variaram de feridas abertas e abcessos a necroses. No entanto em todos os casos apresentados, os pacientes já haviam sido submetidos a rinoplastia e instalação de algum tipo de implante (Matriz dérmica acelular – ADM, preenchimento com silicone, politetrafluoretileno expandido – e-PTFE, polietileno poroso e preenchedor desconhecido), o que segundo os autores aumentam em cerca de 103 vezes a taxa de infecção. Relataram ainda que, a maioria das complicações aconteceram na ponta do nariz, e como essa região tem baixa vascularização, a quantidade de fios utilizados nos tratamentos, somados ao efeito da hidrólise que produz edema nessa região, aumentaram o risco de necrose. Os autores concluíram é melhor não fazer fios para pacientes que fizeram implantes anteriores para tratamentos de rinoplastia.

5. CONCLUSÃO

É possível concluir, com base nos artigos pesquisados que, o tratamento de lifting facial com fios é um procedimento seguro, com reações pós-operatórias leves e que se resolvem sem intervenção na maioria dos casos, e complicações sérias são raras.

É um procedimento eficaz do ponto de vista dos pacientes e dos cirurgiões, atingindo índices de satisfação altos para ambos.

Existem diversos tipos de fios, feitos de materiais diferentes, tamanhos, calibres, com uma e duas agulhas, lisos e espiculados, absorvíveis e não absorvíveis e cada uma dessas características influem na eficácia e durabilidade do tratamento.

Independente do material que compõe o fio, todos eles são capazes de estimular a neocolagênese e o aumento de fator de crescimento transformador beta 1 (TGF-b1), porém os fios mais modernos de PCL (policaprolactona) e PLLA (Ácido Poli-L-Láctico) parecem que são capazes de produzirem um efeito maior e mais prolongado desse estímulo do que os de PDO (polidioxanona).

O uso do fio para levantamento dos tecidos flácidos da face é recomendado para pessoas com grau leve a moderado de rugas.

O fio não é recomendado para pacientes que já realizaram procedimentos de instalação de implantes estéticos anteriormente, tais como matriz dérmica acelular (ADM), preenchimento com silicone, politetrafluoroetileno expandido (e-PTFE) e implantes de polietileno poroso, principalmente na região do nariz.



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Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face. Trabalha desde 2011 em harmonização facial.