harmonização orofacial, harmonização facial

Harmonização Orofacial é uma Jabuticaba

O termo Harmonização é muito genérico… serve para definir qual o melhor queijo para combinar com determinado vinho, para saber se carne vai bem com tal ou tal cerveja. Fala-se até de usar o Feng Shui para harmonizar os móveis da casa… 

É um termo estranho para um tratamento em saúde, vamos convir. 

Sempre achei, e ainda acho, apesar de utilizar com muita frequência, considerando que é uma parte importante do meu dia a dia… Muito, muito tempo atrás, numa galáxia nem tão distante assim, eu cheguei a usar uma terminologia chamada Estética Orofacial, que depois descobri que não bastava. 

Tinha que harmonizar a parte com o todo.  E, usando o termo da moda, passamos a fazer Harmonização Facial.

Mas não é só isso, depende de quem faz… se for médicos, biomédicos e alguns outros, pode sim ser chamada de facial, mas se é cirurgião-dentista, tem que ser chamado de OROfacial. E olha que tem profissionais que levam a sério esta questão de facial vs orofacial.

Ficam ofendidos… Vai entender, já já entro neste mérito.

Mas o que a define? O que pode e o que não pode ser “Harmonizado”? Porque eu vejo isso de uma forma diferente até mesmo de uma boa parte do publico que busca este tratamento.

Talvez para a maior parte dos pacientes, o termo se reflita em mudanças, tratamentos que podem substituir cirurgias mais complicadas e que oferecem grandes alterações entre o antes e o depois.

Mas aqui acho que cabe um entendimento melhor. Será que é desejável mudanças radicais? Porque se fizermos uma análise das maiores polemicas sobre esta técnica, a grande maioria surgiu pelo exagero, pelas mudanças exageradas e que depois tornaram-se inconvenientes.

Veja só o caso do cantor/ator Lucas Lucco, que fez a primeira “desarmonização facial” que tive noticia. Ou de muitos vloggers/bloggers arrependidos depois de bichectomia mal indicadas, ou lábios volumosos demais… Ou os Instagrammers reclamando da exposição que um tratamento mal planejado está causando a eles.

Teríamos muitas situações para exemplificar que o padrão, dentro da mídia, é que harmonização facial é radical e causa arrependimentos dos tamanhos das modificações que provoca.

E nada mais errado. Harmonização facial é, acima de tudo, uma ferramenta de aceitação. 

Ou como coloquei certa vez no Instagram: é Evolução, não Revolução. É melhorar, não mudar. 

E é aqui que devemos estar.

Vejo com bons olhos indicar aquilo que permite ao paciente uma melhor auto-estima porque está com um aspecto cansado.

Que permita a paciente se olhar no espelho e gostar do que vê.

Permitir o envelhecimento “saudável”, em que uma pessoa de 60 anos não busque ficar com a cara de 30, mas sim de 60 “bem”, jovial, leve. 

Gosto de imaginar que podemos oferecer saúde. E é disso que devemos tratar ao lidar com Harmonização Facial.  

E o OROfacial? Qualé?

As primeiras buscas no Google usando um termo Harmonização Facial aconteceram lá por março de 2015, e cerca de um ano depois encontramos as primeiras buscas usando o termo Harmonização Orofacial. 

Um fato curioso, que sempre me deixou encasquetado, é que porque mudaram um termo universal, FACIAL,  para OROfacial. 

Daí vão comentar aqui: Orofacial somente um dentista é capaz de fazer, porque envolve o tratamento da cavidade oral associado à face. Semanticamente, faz sentido que seja assim. 

Mas porque biomédicos estão utilizando este termo uma vez que Facial? Mesmo enfermeiros estetas já vi utilizando o termo. Não vejo problema em outras disciplinas da saúde em adotar o termo, muito pelo contrário: quanto mais profissionais usando, mais temos destaque para esta especialidade. 

Mas em essência, Harmonização Orofacial é uma jabuticaba linguística. É algo tão brasileiro como a jabuticaba ou o pequi . Não tem em lugar nenhum do mundo.

Teve até um esforço muito precário de fazer uma internacionalização do termo, criando uma suposta International Academy of Orofacial Harmonization, curiosamente criada e gerida por profissionais brasileiros que faziam eventos no assunto fora do Brasil, mas com profissionais brasileiros, e que buscavam alunos no Brasil.

Parecido com os famosos “cursos de Harvard” que aconteciam por lá mesmo, dentro do Campus da universidade, mas em um espaço alugado por brasileiros, com cursos ministrados por brasileiros para alunos do Brasil. E que nunca constaram de um cronograma de cursos oficiais de Harvard. Mas que tinham certificados com o logotipo da universidade possivelmente utilizados irregularmente.

Sempre me deu a impressão que essa versão em inglês ou mesmo estes cursos “internacionais” foram criado pelas Organizações Tabajara e que tem o Seu Creysson como garoto propaganda. 

International Academy of Orofacial Harmonization eu agarantio, é em ingrêis de verdade.

 

É isso mesmo, OROfacial é um termo inventado para diferenciar cirurgiões-dentistas dos  médicos e “não-médicos”. Mesmo alguns colegas cirurgiões-dentistas justifiquem o uso porque precisamos de um termo próprio, ainda assim é um termo esquisitão, estranho, e porque não dizer: errado.

Como assim?

Eu acredito que centralizar o termo só deixa o assunto mais forte. É essencialmente a mesma área, se for centralizado um nome só, a demanda aumenta, não fica pulverizada nem cria uma segregação desnecessária.

Um médico fará harmonização na face do mesmo modo que um cirurgião-dentista, um biomédico, sei lá. EXATAMENTE A MESMA TÉCNICA.

E um dentista poderá COMPLEMENTAR a estética facial com uma parte odontológica, com diagnósticos complementares. EU (sim, em maiúscula) não criaria um termo especial para a soma de odontologia + estética facial. Já existe termos para os dois.

Mesmo porque há profissionais cirurgiões-dentistas que deixaram de lado a parte odontológica, então trabalham só na Harmonização Facial. Então só por ser dentista deveria chamar de orofacial?

Não faz sentido, concorda?

No Google Trends mostra que a procura por HARMONIZAÇÃO FACIAL é muito maior que Orofacial. Então ao meu ver, o uso do termo mais comum para um mesmo procedimento é melhor pois o público compreende melhor e sabem o que procurar.

 

Vejo na ação de muitos médicos de chamar os demais profissionais da saúde que trabalham com harmonização facial de “não-médicos” a busca exatamente desta separação. Para separar, supostamente, o “joio do trigo”.

Imagine que estranho seria passar a me referir a outros profissionais como “não-dentistas”. Se tem uma palavra que descreve a profissão, vamos utilizá-la: médicos, dentistas, biomédicos, enfermeiros, fisioterapeutas…

É o mesmo que chamar uma pessoa bonita de “não-feia”, ou uma comida gostosa de “nao-ruim”. Tem o adjetivo certo, então use. Faz parte das boas práticas do português (e da boa educação, por que não?).

Não é o título que define um bom profissional ou não. Há médicos fazendo atrocidades por aí, do mesmo modo que há dentistas fazendo, Biomédicos fazendo.

A questão é que é um PROFISSIONAL ruim, não uma profissão.

#FICAADICA

Até uma próxima sessão de desabafo. 😉


Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face