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A Importância de Utilizar um Sistema Fechado para coleta de Sangue

Na resolução CFO 158/2015 de 8 de julho de 2015, que regulamenta o uso de Agregados Plaquetários Autólogos para fins não transfusionais no âmbito da Odontologia, no 3º parágrafo fala isso:

O processamento do sangue humano para obtenção do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) em sistema fechado e a manipulação do sangue para a obtenção da Fibrina Rica em Plaquetas (PRF) podem ser realizados em centro cirúrgico ou consultório odontológico por cirurgião-dentista devidamente habilitado, em conformidade com a RDC/Anvisa – 63/2011 ou a que vier a substituí-la ou complementá-la.

Neste ponto, é importante entender que por “sistema fechado”, a idéia é utilizar um sistema de COLETA de sangue que diminua ao máximo a possibilidade de contaminação do material, ou do sangue.

Importante lembrar da importância disso, afinal nós coletamos o sangue e este será reintroduzido em nosso paciente, portanto a preservação de sua esterilidade é condição sine qua non para não comprometer nem o tratamento nem a saúde de nosso cliente.

Para este sistema fechado, os dispositivos permitem a aspiração do sangue diretamente da veia através de vácuo. E para isso utiliza uma agulha de duas pontas: uma se conectava diretamente ao tubo de coleta a vácuo (ou ao vacutainer, como é o nome oficial) e outra ao vaso recém puncionado.

Como (GRANDE) vantagem é que este sistema a vácuo permite a coleta de vários tubos de forma rápida e segura. E com uma única punção já que uma das pontas da agulha sempre estará dentro do vaso sanguíneo.

Quando comparado a um Sistema Aberto, que essencialmente é a coleta do sangue com agulha e seringa, são muitas e muitas vantagens, concordam? Fora que evitamos acidentes com perfuro-cortantes sendo manipulados o tempo todo, com a contaminação do material coletado, etc…

E digo mais: todo o processamento do sangue precisa ser feito, na maioria das vezes, usando os próprios vacutainers. Então imagine só: coleto com agulha e seringa, depois injeto este material coletado no vacutainer para que aconteça a centrifugação…

Meio estúpido, né?

Além de precisar de uma picadinha de agulha para cada seringa de sangue que é preciso coletar.

Se considerar que usamos de 4 a 8 tubos por sessão, o paciente não ficará muito contente, além de precisar de uma habilidade grande para achar os vasos, porque não dá pra acessar sempre o mesmo ponto.

Dai vc fala: ah, Rogério, você é tonto, nunca usou um scalp para tirar sangue? Sim, querido padawan, você tem razão. Este dispositivo resolve isso, mas só em parte.

Mesmo usando um scalp e seringas, tem chance de formação de trombos no tubinho do equipamento e você ter que acessar de novo com um novo scalp. Definitivamente não é a opção mais inteligente…

O que é o Vacutainer®?

Em parte baseado no Keidel Vacuum Bleeding Tube  (ou em tradução livre: Tubo de coleta de sangue a Vácuo Keidel) que surgiu no começo do século XX como uma alternativa para coleta do sangue, a tecnologia  que utilizada hoje, o Vacutainer®,  foi desenvolvida em 1947 por Joseph Kleiner que hoje é uma marca da Becton Dickinson® (vulgo BD®, conhece?).

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O Keidel Vacuum Bleeding Tube que foi o precursor dos conhecidos vacutainers de hoje.

Em uma descrição perfeita, a Wikipedia explicou como funciona: Um tubo de coleta de sangue a vácuo é um tubo de ensaio de vidro ou plástico estéril com uma rolha de borracha colorida criando uma vedação a vácuo dentro do tubo, facilitando a extração de um volume predeterminado de líquido

E a sua última atualização, chamada de Vacultainer PLUS® desenvolvida em meados dos anos 90, conseguiu calibrar a quantidade de vácuo com a quantidade ideal de sangue a ser coletada por tubo. OU seja, se preciso coletar um tubo de 9ml de sangue, este apresente pressão negativa suficiente para aspirar os 9ml.

É muito prático!

Além disso, os Vacutainers® têm a enorme vantagem de virem com aditivos que pode permitir alguma ação no sangue, como por exemplo um agente anticoagulante, permitindo extração de múltiplos tubos sem que os primeiros coletados sofram com a coagulação ou mesmo hemólise.

Apesar de não serem os “originais”, várias empresas hoje fabricam os vacutainers, ou melhor, tubos de coleta a vácuo como seria o correto chamar estes “genéricos”. E todas mantem uma padronização das suas tampas e aditivos.

Explico:

Os Vacutainers e as suas tampas

Uma das padronizações universais mais importantes dos vacutainers foi identificar o aditivo interno baseado na cor das tampas. São algumas dezenas de cores e aditivos, mas vou me ater em 5 em especial:

Branco, de plástico. Sem nenhum aditivo ou catalizador. Funciona para o PRF que é uma belezinha.

Vermelho liso, sem aditivo. É revestido com silicone que cataliza o processo de coagulação. Serve para L-PRF, A-PRF e para análises clinicas de crioglobulinas, por exemplo.

Azul claro. Citrato de sódio (anticoagulante) e pode ser usado para o PRP, além dos testes de coagulação como tempo de protrombina (PT) e tempo de tromboplastina parcial (PTT) e tempo de trombina (TT). O tubo deve ser preenchido 100%.

Lavanda. EDTA-K (quelante/anticoagulante) também usado para o PRP e Tipagem sanguínea e comparação cruzada , teste de Coombs direto, carga viral do HIV.

Verde escuro. Heparina sódica (anticoagulante) também usado para o PRP  e Teste cromossômico, tipagem HLA , amônia , lactato

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Alguns exemplos de vacutainers. Coloridos e alegres, porém sedentos para serem preenchidos por sangue alheio.

Praticidade e segurança

Flebotomia é uma arte, acredite. Não é tão simples e é essencial para quem trabalha com agregados plaquetários autólogos.

E esta ciência ficou cada vez mais precisa e segura usando os sistemas fechados, o que justifica plenamente a regulamentação sobre o uso dos agregados plaquetários indicando o uso dos sistemas a vácuo.

Em nossa Habilitação em Agregados Plaquetários Autólogos você aprende absolutamente tudo desde a coleta até o processamento dos muitos tipos de derivados utilizados em odontologia e harmonização facial. Já viu nosso programa? 

Até a próxima!!


Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face. Trabalha desde 2011 em harmonização facial.