Paciente em litígio com um colega de trabalho, atender ou não?

Paciente em litígio com um colega de trabalho, atender ou não?

Assim como o relacionamento com os pacientes deve ser pautado na ética, com seus colegas de profissão também. As atitudes precisam ser tomadas de acordo com o Código de Ética Odontológica, inclusive nas situações em que o cirurgião-dentista vai avaliar e/ou assumir o tratamento de outro cirurgião-dentista, seja por opção do próprio profissional, por escolha do paciente ou por processo judicial.

O profissional de odontologia não pode de forma alguma julgar o trabalho de um colega qualificando-o como correto, incorreto, inadequado ou ultrapassado, pois este tipo de atitude prejudica o relacionamento entre o profissional e seu paciente, fere a ética, coloca em dúvida a reputação e o bom conceito da odontologia.

Como deve ser o comportamento do profissional nesse caso?

Se o paciente o procura e questiona o trabalho de um colega, o profissional deve agir com prudência e bom senso, pois na odontologia existem inúmeras técnicas de tratamento em todas as áreas de atuação, assim como diversas possibilidades e métodos para alcançar um resultado, seria totalmente inadequado classificar uma técnica ou um procedimento realizado por um colega de profissão. E assim que possível, o profissional deve entrar em contato com o colega que realizou os procedimentos do tratamento anterior e informá-lo das alegações apresentadas pelo paciente. Desta forma, ele conseguirá maiores informações sobre o paciente, seu histórico clínico e conseguirá definir a melhor forma de conduzir o caso.

O que é necessário para dar continuidade ao tratamento do paciente?

É possível sim atender e dar sequência ao tratamento de um paciente de outro colega, porém é necessário que antes de realizar qualquer procedimento sejam registradas as condições em que o paciente se encontra na data da solicitação de mudança, através de exames clínicos e complementares que fundamentarão o novo diagnóstico e o planejamento terapêutico. Somente após obter essas informações, o novo profissional poderá dar continuidade ao trabalho assegurando a qualidade dos cuidados com o paciente e sua própria segurança em relação aos antigos e novos procedimentos.

Se não houver ética entre colegas, não haverá respeito e nem responsabilidade com o outro cirurgião-dentista e nem com a odontologia. E principalmente, não haverá a valorização e o reconhecimento da sociedade ou de seus pacientes.


Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face