Qual o melhor preenchedor Facial?

Qual o melhor preenchedor Facial?

A pergunta mais frequente que ouvimos é “qual o melhor preenchedor para a região X?

E acredito que os profissionais que nos perguntam esse tipo de coisa desejariam uma resposta objetiva, direta:

– Usa a marca tal, tipo tal.

E seria muito mais simples para responder isso se isso permitisse tal objetividade. Mas na verdade a resposta é muito complexa e começa fazendo uma nova pergunta: qual a marca preenchedor que você utiliza?

Porque todas as marcas, das mais baratas às mais caras, todas tem opções de diferentes reologias, diferentes propriedades e que permitiram uma indicação em planos e profundidades diferentes.

Então um profissional que está habituado a uma marca especifica de preenchedor pode escolher dentro da gama de produtos da marca, o que melhor se encaixa no que deseja tratar.

Mas vamos entender melhor estas indicações e escolhas dos produtos. Por partes.

Forças locais onde será aplicado o preenchedor

Um preenchedor que é colocado mais profundo, em região supraperiosteal ou mesmo subcutâneo profundo sofre forças mecânicas diferentes de um outro que é colocado em plano superficial

E não só isso. Como sabemos temos regiões faciais com mais mobilidade ou menos mobilidade, locais cujas forças mecânicas são dispares e são aplicadas em formas distintas sobre os materiais preenchedores.

Por isso é bom entender toda a dinâmica do local a ser tratado respondendo a algumas perguntas:

  • Quais as forças musculares envolvidas nesta região?
  • Qual a profundidade indicada do preenchedor para que o resultado clinico seja obtido
  • É uma região móvel, de mímica, ou é um local com pouco movimento, mais estável?

Percebam quem a escolha vai depender das respostas a cada uma destas questões e as associando às propriedades intrínsecas de cada material: qual a resistências à compressão, às forças de cisalhamento, a coesividade do gel, a capacidade de projeção dos tecidos, a elasticidade, são vários fatores.

Vou dar um exemplo: se formos fazer um preenchimento labial, precisamos um material elástico e com boa coesividade, que permitam os movimentos naturais de abertura e fechamento da boa. Já se formos fazer em região de têmpora, precisamos um material que permita forças de compressão e que tenha ótima projeção de tecidos.

São materiais com propriedades, ouso dizer, opostas. Usar um preenchedor indicado para lábio em têmpora não vai trazer resultado algum, e se utilizar o de têmpora em lábios pode trazer aspectos artificiais e mesmo grumos e nódulos locais.

Então não existem respostas simples. E as coisas se complicam…

Escolhendo a marca

Aqui é algo extremamente subjetivo. Temos produtos melhores e piores no mercado? Sim, temos.

Diria diferente: temos produtos mais ou menos CONFIÁVEIS.

Medicamentos que tem melhores pesquisas, tem mais acompanhamento clínico, tem maior casuística e mais profissionais utilizando podem ser mais confiáveis, em linhas gerais. Não é uma regra mas é um bom parâmetro para indicar isso.

Farmacêuticas menores tem menor investimento em pesquisas, então poderão ter produtos excelentes, mas menos pesquisados, menos validados cientificamente. O que, em caso de intercorrência mais séria poderá ser algo importante a ser levado em consideração.

Outro aspecto é como esta empresa se relaciona com seus clientes. Não digo do ponto de vista comercial, mas sim do suporte e oferta de informações. Se você entra em contato com a empresa, será que vai ter ajuda para suas dúvidas e questionamentos? Ou mesmo em alguma intercorrência com o uso do produto?

Uma informação que pode ajudar na confiabilidade de um produto,  é o tempo que ele está no mercado, e para isso vou dar dois exemplos de umas ótimas empresas e ótimos produtos.

A linha original da Restylane está no mercado desde o começo dos anos 2000 e até hoje está sendo comercializada. Ou seja, já são praticamente 20 anos do medicamento sendo aplicado e acompanhado. Só este fato já faz com que o nível de confiança nesta empresa cresça exponencialmente. Imagine só: se fosse um produto ruim, não teria vida longa, concordam? Mas é uma tecnologia agregada ao preenchedor que, de certa forma, pode estar “ultrapassada” por marcas que surgiram depois.

Se pegarmos outra empresa, temos os preenchedores da Juvederm. Que, como MARCA, está no mercado a tanto tempo quando à Restylane, mas que o medicamento comercializado hoje, os chamados da linha Vycross, tem pouco mais de 5 ou 6 anos. Tá certo que é muito tempo de acompanhamento, mas ainda assim, bem menos que os da Restylane. Isso dá menos confiança de um lado, concorda?

A Mão

E aqui um último ponto a ser considerado. Gosto de fazer uma analogia: se eu entregar uma cebola, alho, um saco de arroz e sal para minha avó, tenho certeza absoluta que ela vai preparar arroz muito melhor do que eu, mesmo usando exatamente os mesmos ingredientes.

Onde quero chegar? Que a mão que faz o tratamento também conta, e muito.  Não adianta ter o “melhor” medicamento se você não domina o uso deste medicamento.

Aqui entra a necessidade de treinamento, formação técnica que permita desenvolver não só o ato de colocar o preenchimento, mas sim o planejamento visando resultados clínicos. Temos muitos cursos nesse tema se você tiver interesse, porque querendo ou não Preenchedores Faciais é o “feijão com arroz” da Harmonização Facial. São os tratamentos mais procurados e com resultados mais desejados.

Dados técnicos

Sabe aquela folhinha com letras miúdas que vem com todo medicamento, como é o caso dos preenchedores faciais? Então, aquilo chama-se “instruções de uso” quando é de uso profissional ou “bula” quando é para o cliente final, e tudo isso fica disponível e aberto no site da ANVISA

Pode parecer bobeira, mas é importante ler aquelas informações. Lá, indicarão planos, posições, forma de aplicação, reações esperadas e tudo que você precisa saber para desenvolver a habilidade de utilização daquele medicamento e ter segurança em seu uso.

Conhecer as propriedades dos preenchedores também é algo a ser considerado: reologia, indicações, fabricantes

Concluindo… ou não.

Então veja que não é uma resposta simples, e dificilmente você terá uma resposta objetiva, o importante é ser capaz de entender todas estas variáveis e escolher o melhor produto para VOCÊ.

Nos nossos próximos posts neste blog vamos apresentar uma série de artigos que vai ajudar nesta escolha. Aguarde.


Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face