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Como guardar a Toxina Botulínica?

São perguntas recorrentes de nossos alunos:

  • Deixei a toxina fora da geladeira, vai perder o efeito?
  • Ou então, muito comum: tenho uma toxina guardada por X meses na geladeira, posso aplicar?
  • Ou ainda, mais rara: Sem querer a toxina foi colocada no congelador, será que ainda funciona?

Vamos entender isso melhor?

Armazenamento ANTES da Reconstituição

A toxina botulínica é composta por uma proteína e que tem um grau de estabilidade relativamente baixo (ou seja, pode sofrer alterações tridimensionais que levam a perda de sua efetividade), e tem necessidades específicas quanto a sua conservação.

Quase todas as marcas do mercado (a saber: Botox, Dysport, Prosigne, Botulift, Botulim, Nabota) antes de sua reconstituição, devem ser armazenadas entre +2°C a +8°C. Esta é a temperatura de uma geladeria comum, mesmo, não vejo necessidade de uma câmara de conservação ou outro equipamento especial.

Mas tem uma única marca que dispensa ser guardada refrigerada, que á o Xeomin. Esta, basta estar estocada em um local fresco e arejado e ela vai se manter preservada da forma correta (um armário em um ambiente sem incidência direta do sol funciona muito bem)

E pra completar: se for guardar em geladeira, NÃO DEIXE NA PORTA, utilize a gaveta de vegetais ou alguma parte mais ao fundo da geladeira/frigobar. A porta sobre alterações de temperatura constantemente toda vez que se abre a geladeira, e essa variação térmica não é interessante.

Uso imediato…

Todas as marcas, sem excessão, vão indicar que depois de reconstituída, a toxina botulínica deve ser utilizada imediatamente ou no prazo de 24 horas após a reconstituição.

Eu vejo duas situações: para a empresa farmacêutica, melhor que seja descartado o que sobra para que seja comprado um frasco a mais, mas também temos que entender que, justamente pela sua instabilidade dimensional, quanto mais tempo a toxina passa em um ambiente não estabilizado, maior probabilidade das proteínas serem inativadas.

Só para que entenda: a toxina, antes de sua reconstituição, no seu frasco-ampola vem associadas a estabilizantes (como a albumina ou a gelatina bovina, conforme a marca) que mantém a toxina botulínica estável e ativa. Depois de reconstituído, esta “proteção” deixa de agir sobre o material e pode acontecer a inativação da proteína.

… mas eu quero guardar

Sobrou no frasco e vai ser um prejuízo tremendo jogar fora… Posso guardar por quanto tempo?

Apesar de não ser recomendado pelos fabricantes, há uma série de trabalhos e consensos que indicam que guardar em geladeira, com temperatura controlada (como disse acima: +2°C a +8°C é o ideal) por 2 a 4 semanas é viável.

Entenda como viável isto: você pode utilizar o medicamento para aplicar em um paciente sem grandes alterações na efetividade da toxina, mas quanto mais tempo ela for guardada, menor vai ser a efetividade e maior o risco de uma reação imunológica como o efeito vacina (quando o medicamento tem uma efetividade cada vez menor nos pacientes).

O efeito vacina é polêmico, oportunamente falaremos disso, mas é fato que quanto mais tempo guardada, menor vai ser sua efetividade. Falando nisso, já explicamos com muitos detalhes o tempo de efeito da toxina.

Há também questionamentos se o congelamento é melhor ou pior que a conservação em geladeria, e realmente a formação dos cristais de água podem alterar a morfologia da proteína e teoricamente inativar sua ação. Há poucas publicações recentes sobre esse assunto, mas acontece uma pequena perda de efetividade se congelado.

Então melhor mesmo é conservar em geladeira, nos mesmos moldes que comentei acima, em um local com pouca variação térmica e no máximo em 2 semanas, tempo suficiente para o retorno e eventual correção a realizar no paciente.

Mas com moderação

Se você deixou a toxina mais que as 2 a 4 semanas que indico acima, é hora de descartar. Não aplique em você, não aplique em sua sogra, simplesmente descarte.

Depois desse prazo, a maior parte do medicamento está inativado, então além do possível efeito ser curtíssimo porque ocorrerá com certeza uma subdosagem, o risco de sensibilizar o sistema imunológico e causar eventual efeito vacina não compensa o risco…

Isso é tudo, pe-pe-pessoal!


Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face