Restylane EyeLight, preenchimento de olheiras

Restylane EyeLight®: o primeiro preenchedor “oficial” para olheiras?

Em 5 de junho de 2023, a Galderma anunciou que o Restylane EyeLight®, um preenchedor a base de ácido hialurônico (HA) para a área abaixo dos olhos, recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA.

Usualmente as empresas evitam colocar indicações dos prenchedores especificamente para esta região haja visto a profusão de complicações e intercorrências que existem nestes locais quando realizado por profissionais incautos (e mesmo para os experiêntes…).

Mas é interessante ver que marca Restylane Eyelight  entra no mercado como sendo o primeiro e único produto nos EUA formulado com a Tecnologia NASHA® para a perda de volume abaixo dos olhos, proporcionando aos pacientes resultados naturais.

Mas o que mudou? Vamor falar disso já, antes vamos entender porque região dos olhos é tão suceptível a problemas…

Entendendo a drenagem linfática na região dos olhos

A região ao redor dos olhos apresenta peculiaridades anatômicas importantes. A drenagem linfática é uma delas, sendo uma função crucial para eliminar toxinas e reduzir o inchaço, comumente associado ao aparecimento de olheiras. Outra peculiaridade é a pequena espessura dérmica, que deixa a área mais suscetível a alterações, como a pigmentação e a formação de rugas.

A anatomia linfática da região dos olhos é complexa e ainda não é completamente compreendida. A área é servida por uma extensa rede de vasos linfáticos finos que coletam e transportam o fluido linfático, responsável pela remoção de detritos celulares e patógenos.

Os vasos linfáticos dos olhos estão intimamente associados com os vasos sanguíneos e as glândulas lacrimais. Eles seguem um padrão radial, convergindo em direção ao canto interno do olho, próximo ao canal lacrimonasal. Esses vasos se unem para formar ductos linfáticos maiores que drenam o fluido linfático para os linfonodos.

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Estruturas anatômicas envolvidas na formação da deformidade em calha lacrimal. Este está localizado entre as áreas palpebral e orbital do músculo orbicularis oculi, e a localização da prega nasojugal corresponde ao limite inferior desse músculo. Superior esquerdo: Anatomia da área periocular. Superior direito: Imagem das estruturas vasculares e nervosas da área. A linha azul destaca a veia angular e a vermelha a artéria angular; o círculo vermelho indica a emergência do nervo infraorbitário. Inferior esquerdo: Localização das bolsas de gordura: medial superior (UM), central superior (UC), medial inferior (LM), central inferior (LC) e lateral inferior (LL). Embaixo à direita: drenagem linfática da área periocular. Referência da imagem.

Os linfonodos relevantes para a drenagem linfática da região dos olhos incluem os linfonodos pré-auriculares e submandibulares. Esses linfonodos atuam como filtros para a linfa, removendo detritos e patógenos antes que o fluido seja devolvido ao sistema circulatório.

A pele na região dos olhos é extremamente fina e sensível, sendo das mais delgada do corpo humano. Ela é revestida por uma camada de tecido adiposo subjacente, o que favorece o acúmulo de fluidos e a formação de bolsas sob os olhos.

A drenagem linfática nessa região é auxiliada pelos movimentos musculares naturais, como das pálpebras durante o piscar, bem como pelos movimentos musculares do Orbicularis Oculi (músculo orbicular do olho) associados à expressões e dinâmicas faciais.

É importante lembrar que a drenagem linfática é essencial para manter a homeostase do tecido ocular, prevenindo o inchaço e a retenção de líquidos que podem levar ao aparecimento de olheiras e bolsas sob os olhos. Nesta aula explicamos detalhadamente como a anatomia local interfere na formação de edema e deficiência da drenagem.

Preenchendo a Região Orbitária

Os preenchedores faciais são amplamente utilizados para tratar sinais de envelhecimento, perda de volume, bem como para melhorar contornos faciais. No entanto, quando usados na delicada região dos olhos, podem potencialmente interferir no sistema de drenagem linfática.

Em primeiro lugar, considere que a própria técnica para aplicação de um preenchedor pode causar algum grau de trauma no tecido, o que pode resultar em inchaço e inflamação temporários. Esse inchaço pode comprimir os vasos linfáticos e dificultar o fluxo de linfa, então é esperado, como uma intercorrência, algum acúmulo de liquido/edema logo após um preenchimento.

Além disso, se o preenchedor for injetado muito superficialmente ou em excesso, ele pode ocupar o espaço anatômico normalmente destinado à circulação de linfa, prejudicando a drenagem linfática, e eventualmente causando até o famoso Efeito Tyndall, que explicaremos logo abaixo.

Por último, a propriedade inerente ao ácido hialurônico é o fato dele ser hidrofílico, ou seja, têm a capacidade de absorver água. Isso pode levar ao inchaço ainda maior do que o previsto da área tratada e, consequentemente, à compressão dos vasos linfáticos, limitando sua capacidade de drenar eficientemente.

Além disso, há o Efeito Tyndall, que uma das complicações específicas para na utilização de preenchedores na região periorbital. É caracterizado por uma coloração azulada da pele quando um preenchedor é injetado muito superficialmente. Isso ocorre porque a luz é dispersa pela superfície do preenchedor, o que resulta em uma aparência azulada semelhante ao fenômeno óptico que dá cor ao céu. Para evitar o Efeito Tyndall, o preenchedor deve ser injetado em uma profundidade adequada, geralmente no nível da derme profunda ou abaixo dela. Daí a necessidade de ter uma capacitação melhor nos preenchimentos faciais.

Mas o que o Restylane EyeLight® tem de diferente?

Sim, ele é a base de ácido hialurônico, MAS através de um processo específico na reticulação do ácido hialurônico, ele tem uma menor absorção de água, e passou com louvor nos testes exigidos pelo FDA:

A aprovação do FDA é respaldada por dados de eficácia e segurança de um estudo de Fase 3, randomizado, avaliador-cego (é estranho, mas não é piada: o avaliador não sabia o material que foi usado ao conferir os resultados…), de grupo paralelo, sem controle de tratamento e multicêntrico para avaliar a eficácia e a segurança do Restylane Eyelight para a correção da perda de volume abaixo dos olhos. Neste estudo, ainda não publicado mas disponivel no site ClinicalTrials (que aponta todos os testes clínicos em andamento nos EUA), 87% dos pacientes tiveram uma redução nas olheiras em 3 meses e o Restylane Eyelight mostrou-se bem tolerado. Aos 3 meses, 92% dos pacientes estavam satisfeitos com seus resultados, e 84% continuavam satisfeitos após 1 ano. O estudo também revelou alta satisfação, com 93% dos pacientes expressando interesse em receber o tratamento novamente após 12 meses.

Sabemos que o Restylane utiliza uma tecnologia de reticulação chamada NASHA, e em especial o Restylane Eyelight, produz um gel firme (ou ‘gel de suporte’) que é resistente à absorção de água. Essa característica que torna o Restylane Eyelight uma solução segura e com aparência natural para a perda de volume abaixo dos olhos.

Ainda que os efeitos colaterais mais comumente observados para injeção abaixo dos olhos são inchaço, vermelhidão, sensibilidade, dor, hematomas, coceira e caroços ou inchaços no local da injeção, neste estudo a maioria dos eventos adversos foram leves em gravidade (75%) e nenhum foi grave. Não houve incidência do efeito Tyndall  após o tratamento com Restylane Eyelight®.

Lembro que o Restylane Eyelight® AINDA NÃO POSSUI ANVISA, e não é comercializado no Brasil até data de publicação deste artigo, e mas é algo que a empresa deve resolver em breve.



Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face. Trabalha desde 2011 em harmonização facial.