Currículo que parece, mas não é.

Currículo que parece, mas não é.

Um negócio que me deixa com gastura é observar currículos de um mundo de professores que trabalham dentro da harmonização facial.

Sabe aquele currículos muito elaborados, lapidados com esmero mesmo? Que tem dezenas de tópicos, subtópicos, menções, honrarias, títulos acadêmicos e não acadêmicos? Aqueles que só falta ter uma declaração da mãe explicando como foi o parto e do pai falando o que aconteceu na fila do cartório na hora do registro?

Pois então. Isto não deve ser considerado um currículo sério. Basicamente é uma encheção de linguiça para tentar ludibriar quem lê. Parece um currículo, parece cheio de conteúdo, parece mostrar todo o conhecimento do profissional, mas não é algo que deva ser considerado, ouso dizer, idôneo.

Poderia eventualmente chamar estas folhas corridas de “Currículos Denorex“(quem viveu nos anos 80 deve se lembrar disso. Preciso parar de fazer referências como esta porque dá na cara a idade, né?).

Ou ainda, para ser algo mais recente: é um processo de Decotellização dos currículos.Vejo acontecer em outras especialidades também, mas os de Harmonização é um mundo à parte. Tenho até uma teoria que explica porque acontecem NESTA especialidade com tanta frequência mas não é este o assunto desta postagem. 

Voltando… Você bem sabe: o papel aceita tudo, sem questionar. É muito fácil a um profissional criar um currículo buscando valorizar  suas virtudes e conhecimentos, destacando tudo aquilo que, em sua opinião, merece destaque dentro da área em que atua.

De fato, nada mais justo e correto.

Mas qual é o peso real desta informação? Ela oferece um retrato preciso do que você sabe? É isso que vou falar agora: O que deve ser colocado, o que pode ser colocado e o que não deve constar no seu currículo.

Mas começaremos entendendo os..

Títulos Acadêmicos

Existe uma lei que regulamentou todos os títulos acadêmicos reconhecidos no Brasil: lei federal de número 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Esta lei estabelece as diretrizes e bases da educação no Brasil e divide de forma bastante fácil de entender os títulos emitidos por entidades de ensino superior. Basicamente são programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamentos. Vou desconsiderar a graduação porque parto do princípio que esta será pré-requisito para os demais títulos.

Você pode separar estes programas em duas categorias: Lato sensu e Stricto sensu. Possivelmente já ouviu falar nestes termos, não?

Lato sensu

Traduzido do latim significa algo como “no sentido amplo”, envolvem cursos de formação acadêmica e profissional como as especializações e os chamados MBA (que é um termo herdado dos paises anglófonos, falo sobre isso logo a diante).

Estes cursos tem um objetivo muito específico: oferecer conhecimentos para melhorar a atuação no mercado de trabalho. Ou seja: é um ensino com foco na prática. O ensinado pode ser aplicado diretamente no dia-a-dia do profissional.

Stricto sensu

Este termo, também traduzido, seria “no sentido estrito, específico”. Nestes, encaixam-se os mestrados e doutorados. Em resumo, são cursos que tem o objetivo do estudo e da pesquisa em temas específicos, almejam o avançao da ciencia estudada. 

São qualificações usualmente indicadas para profissionais que desejam desenvolver suas carreiras no meio acadêmico ou na produção de pesquisas e conteúdos científicos em faculdades e universidades.

E existe uma diferença entre estes dois títulos. Enquanto o mestrado tem foco no ensino, ou seja, um Mestre aprende os domínios técnicos para ensinar, um Doutorado tem foco em pesquisa.

Eu, por exemplo, tenho Mestrado, e nunca vi necessidade de avançar em um doutorado. Porque meu foco sempre foi o ensino, não a pesquisa. Para mim, interpretar dados, questionar pontos chave e transmitir informações de forma mais “palatável” é o que me atrai. Não sou uma pessoa que desejo desenvolver pesquisas. 

Deste modo, para mim, o Doutorado teria pouca valia. Normalmente um doutorado possui uma duração 3 a 4 anos e exige que o trabalho a ser apresentado tenha algum grau de ineditismo (ou seja, algum detalhe que não tenha sido pensado por outra pessoa) para oferecer uma contribuição inovadora para a ciência.

Em uma escala lógica, para ser um Doutor, você deve ser um Mestre antes. Um aspecto interessante é que estas titulações estão saindo da academia e entrando num mercado bem promissor. Muitas empresas contratam profissionais nestes níveis de formação para integrar também à sua base profissional.

Uma grande farmacêutica, por exemplo, tem departamentos de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços, então Mestres e Doutores podem encontrar também um campo profissional mais distante dos meios acadêmicos, podendo aplicar o conhecimento em outro nicho de mercado (usei como exemplo algo específico em nossa área, mas em todas outras áreas da ciência é possivel encontrar situações semelhantes).

Então até aqui encontramos alguns títulos acadêmicos reconhecidos oficialmentes (por ordem de “complexidade”):

  • Especialização ou MBA
  • Mestrado
  • Doutorado

Então perceba que os títulos são somente estes. Mas e a miríade de outros titulos utilizados dentro das formações profissionais? Vamos para nosso proximo capítulo:

É confuso #sqn

Você já ouviu alguém falar em Pós-doutorado? Ou então em Residência? Ou um tal de Mestrado Profissional?

Estes termos dizem muito mais respeito a como um determinado curso está formatado do que um título acadêmico. Explico:

Pós-doutorado sequer é um curso

É em essencia um estágio de estudo e pesquisa realizado por um portador do título de Doutor. Pode ter durações super curtas, de poucas semanas, até a algo mais complexo de alguns anos (isso varia conforme o país. Por aqui é de 1 a 48 meses). Normalmente para pleitear uma bolsa antes de ser absorvido no mercado de trabalho, ou mesmo fazer uma extensão de sua formação no exterior, um recém-doutor busca a “supervisão” de um professor doutor já pertencente a um programa de pós-graduação.

Mas não existe um título de “pós-doutor”. Que foi o que  brinquei acima sobre a Decotellização dos curriculos. Em 2020, o doutor Carlos Alberto Decotelli da Silva, recém nomeado Ministro da Educação do Brasil tinha em seu polêmico e inflacionado currículo menção dele ser “pós-doutorado” em alguma área. E justamente por isso sequer tomou posse do cargo pelas críticas de ter mentido em seu currículo. e se colocar como pós-doutorado em Harvard depois de um curso de uma semana da institutição.

 

titulos academicos falsos

 

Enfim: se você fez um, dois ou dez estágios de pós-doutorado, você ainda deve, por razões éticas, manter seu título como Doutor. E pronto.

Residências Fakes

Uma pessoa pode ser considerada residente se está regularmente inscrita em um programa de Residência Multiprofissional e em Área Profissional da Saúde ou mesmo de Residência Médica, ou ainda Residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.

Usualmente estes programas são oferecidos por Hospitais e exigem uma dedicação bem grande do participante, são cursos com programas que ultrapassam as milhares de horas, chegando a 60 horas semanais por vários anos consecutivos. É de fato uma des melhores formações profissionais que temos, haja visto que o aluno do programa ficará imerso no tema por muito tempo.

Mas um aspecto interessante é a titulação. Enquanto estiver no programa, é justo colocar no currículo ser um “Residente no Programa X do Hospital Y”, mas uma vez finalizado o curso, o profissional pleiteia o título de especialista na determinada área.

Então acabou o curso de Residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial? Você pode pleitear o título acadêmico de “Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial” e é isto que constará no currículo.

Um ponto muito importante:

O termo residência foi sucateado pela Harmonização Facial, pipocando por aí pessoas que fizeram “Residência de Harmonização Orofacial em Harvard” entre outras… Já achei inclusive em um currículo de uma profissional que se colocava como “supervisora da Residência em harmonização Facial em Harvard”…

Primeiro, é que nenhum destes cursos de extensão que se chamam de Residência obedece à legislação mínima para ser chamado assim.

Outra é que estes eventos de Harmonização “pela Universidade de Harvard” é uma mentira tão deslavada, mas tão, tão deslavada que tenho pena de quem foi enganado achando que era algo promovido de fato pela Universidade de Harvard. O Porta dos Fundos teve até uma inspiração por conta do volume de pessoas que dizem ter alguma titulação “de Harvard”.

Todos os curso oferecidos por lá neste tema são organizados por pessoas que locam um auditório e dão algumas aulas sem vinculo nenhum com a universidade. Seria como eu, Rogério, locar o Centro de Convenções Rebouças para fazer um evento Chamado de “Residência em Harmonização Facial” e falar que foi organizado pelo Hospital das Clínicas que está lá do lado do centro de eventos…

Imagina só?? Eu poderia colocar no meu currículo que sou o “Supervisor da Residência em Harmonização Facial do Hospital das Clínicas!!”. Enfim, estou mudando de tema, talvez no futuro volte aqui no blog para falar mais destas presepadas…

Mestrado Profissionalizante

Esta é uma modalidade que surgiu nos ultimos anos e que acho bem interessante. Em essência é um programa de pós-graduação que unifica em sua proposta tanto um mestrado como um curso de especialização e que são ministrados de forma simultânea.

Ao contrário de um mestrado acadêmico, que é um curso eminentemente teórico, neste modelo o curso ganha uma carga horária prática compativel com os cursos de especialização, e ao finalizar este curso, o aluno tem uma dupla certificação: a de Mestre (que é reconhecido pelo CAPES/MEC) e a de Especialista (reconhecido pelo conselho profissional do participante).

Em inglês fica muito mais fyno!

Outra coisa que encontramos são profissionais colocando em seu currículo títulos acadêmicos que não tem qualquer reconhecimento no Brasil. Vamos entender. Os mais conhecidos são os que tem sua correlação com o mestrado e doutorado.

M.Sc. ou “Master of Sciences”, ou “mestre das ciências”, e tem sua equivalência direta com o Mestrado que cito acima. Existem várias subdivisões deste título de acordo com a área (exatas, humanas, biológicas, etc) mas vou me ater a este em especial.

Mas esta interpretação é diferente do que temos aqui. No Brasil o mestrado é um “estágio acima” da especialização. Porém na Europa, por exemplo, a partir do Processo de Bologna, este grau está mais próximo da especialização (ou das pós-graduações strictu sensu) do que do mestrado propriamente dito, porque são oferecidos muitas vezes como a continuação da licenciatura em uma área.

Outro bem conhecido é o Título de Ph.D. que significa “Philosophy Doctor”, ou “doutor de filosofia”. Independente da área (exatas, humanas, biológicas), o título é em Filosofia porque segue o sentido original do termo: “amor e respeito pelo saber”. Este título tem correlação direta com os doutorados. 

Existem outros termos em inglês que são utilizados para identificar a formação principal, como M.D., de Medical Doctor, ou Médico, ou ainda D.D.S., Doctor of Dental Surgery ou Cirurgião-dentista. Tem ainda um menos conhecido que é o D.M.D. ou Doctor of Medicine in Dentistry, que seria o equivalente ao termo lusitano médico-dentista.

O fato é que você não pode colocar no seu currículo este títulos pois, além de não serem parte de nossa legislação, não existe uma equivalencia exata entre os termos.

E quantas vezes já não vi profissionais colocando a capivara assim: Fulano de tal. M.D, M.Sc., Ph.D. O cidadão quer parecer melhor do que é e coloca lá um M.D. e acha que virou o Dr. House.

 

 

Outro termo que é bastante usado é o fato de ser um Fellow. Em tradução livre, fellow quer dizer “parceiro”, e em paises de lingua inglesa o título Fellow refere-se a um membro de um grupo de professores de alto nível de uma faculdade ou universidade, ou ainda de sociedades científica). Não existe uma analogia para nossa lingua, mas seria algo como um “membro acadêmico” que participa de alguma das Associações ou Sociedades como falo mais abaixo.

Mas na prática, Fellow, no Brasil, não existe. Então, a não ser que você esteja acompanhando o Frodo Baggins a se livrar do Um anel se juntar à “Fellowship of the Rings” pode colocar isso no seu currículo, caso contrário, não utilize.

Já o termo MBA, ou Master in Business Administration já é correntemente falado por aqui, e tem a validade de uma especialização. Até o MEC já reconhece esta formação em especial.

Então como fazer o seu curriculo do jeito certo?

Apesar de Oscar Wilde ter dito que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado, existem regras bem claras para apresentação e uso dos títulos acadêmicos e esbanjar seu conhecimento por aí.

Você pode se chamar de Doutor sem ter Doutorado? Só porque você faz muitos preenchimentos faciais você pode ser chamado de Especialista em Preenchedores Faciais?

Pois é disso que se vamos falar a partir de agora.

Como penso ter deixado claro, PODE e DEVEM constar de seu currículo os títulos de Especialização, Mestrado e Doutorado. Existia um item no código de ética odontológico que proibia que um profissional cirurgião-dentista apresentasse mais do que duas especialidades reconhecidas. Desde a RESOLUÇÃO CFO 195/2019, houve a autorização para o profissional Cirurgião-Dentista a realizar o registro, a inscrição e a divulgação de mais especialidades, sem estipular nenhum limite.

Claro que uma coisa que meu pai sempre disse: se você tem muitas especialidades, você não passa de um clínico geral. Então ter o título não conta nada se você não pratica mais tal especialidade.

Então é de bom tom utilizar em suas divulgações as especialidades que você tem de fato certificação e reconhecimento oficial, e cuja área ainda faz parte de sua atuação.

Neste ponto é importante dizer: se seu conselho profissional não reconhece tal especialidade, não utilize. Como no exemplo acima> Não existe, pelo CFO, a “Especialidade em Preenchedores Faciais”, então isso não tem validade.

Pra resumir, seu curriculo constará: Doutorado, Mestrado e especialidades com a qual é registrado e que atua e o numero do seu registro junto ao conselho regional.

Mas fica muito pobre!! Eu quero mais! Eu quero um curriculão porque eu sou muito sabido!

Esta é a alma do seu curriculo, aquilo que REALMENTE tem valor legal. Tudo que você colocar além disso pode ser caracterizado como encheção de linguiça, como explico a seguir.

E é bom manter as referências acadêmicas em dia. Não se chame de Doutor sem ter doutorado reconhecido pelo CAPES. Muito menos use este título como um cognome como o lastimável “Doutor Bumbum”.

A arte de encher linguiças

Nelson Rodrigues pregava que quando uma história ou materia jornalistica estava muito sem graça, o jornalista deveria ser criativo e colocar um “passarinho”, algo que traga a história à tona e ofereça o destaque necessário. (Leia aqui a crônica. Nelso Rodrigues é muito bom de se ler, mesmo quando fala de futebol).

Muitos profissionais são verdadeiros criadores de passarinhos. Mas, neste caso, só vejo deméritos nesta habilitade. Explico, por temas…

Associações e Sociedades

  1. Associado da ABRAHOF, Associação Brasileira de Harmonização Orofacial
  2. Sócio da SBTI,  Sociedade Brasileira de Toxina Botulínica e Implantes Faciais
  3. Titular da SBD, Sociedade Brasileira de Dermatologia
  4. Associado da APCD, Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas

São várias as Associações ou Sociedades que representam grupos profissionais. Estas associações tem sua relevância, mas não indicam EM ABSOLUTO que um associado ou um titular é um bom profissional. Na grande verdade, a vasta maioria (se não a totalidade) destas associações funcionam à base de troca.

A APCD por exemplo… Ela cobra uma mensalidade e em troca o profissional “ganha” um título de associado, tem um seguro de responsabilidade civil (que pode ser contratado de forma avulsa, não tem que ser sócio), e publica uma revista periódica. Precisa ser um ser humano iluminado e muito capaz para ser associado? Não. Precisa ter graduação em odontologia e algum saldo em banco para pagar as anuidades. Só.

A SBD, Sociedade Brasileira de Dermatologia exige uma prova: tem que ser “Médico dermatologista, residente ou não no Brasil, inscrito para este fim, portador de Título de Especialista em Dermatologia (TED) emitido pela Associação Médica Brasileira após aprovação no exame promovido pela SBD”. Ou seja, é mais fechada. Só sua diretoria permite ou não esta titulação. Mas, além de estudar pra ir bem na prova, garante que o profissional é bom?

Estes títulos tem valor de currículo? Pouquissimo. Mesmo porque a vasta maioria só pedem o pagamento da mensalidade…

Então, no meu ponto de vista, colocar estas associações em meu currículo teria o mesmo valor de colocar que tenho a carteirinha dos fliperamas dos shoppings perto de casa.

Vou colocar no meu curriculo então isso: Associado da Playland do Shopping Mooca e da Playzone do Shopping Plaza São Caetano. Uma coisa é certa: estas duas associações me trazem muitos benefícios lúdicos e não exigem mensalidades…

Pós-graduação

Pós-graduação refere-se a qualquer curso que o profissional faz DEPOIS de sua graduação. Então obviamente os Doutorados, mestrados e Especializações são pós-graduações.

Mas e os cursos livres, como os que oferecemos aqui no Instituto Velasco? Todos são pós-graduações, mas não oferem um título acadêmico.

Se você fizer nosso curso de Toxina Botulínica, apesar de aprender muito sobre o tema, isso não o fará um “Especialista em Toxina botulínica”, mas sim um credenciado no uso da técnica. Você poderá se chamar de Botocólogo? Botologista? Obviamente não.

Aqui é imporante separar as coisas: não estou de modo algum colocando em questão a qualidade de ensino destes cursos, e que penso serem essenciais para “refinar” muitos dos conhecimentos acadêmicos ditos oficiais, mas estes cursos tem muito pouco peso em um currículo. 

Funciona para colocar seu certificado emoldurado em seu consultório e seu paciente ver o quão estudioso você é? SIM, faça isso. 

Mas não se deve colocar em currículo cada um dos cursos que você fez. Fazendo isso você terá depois de alguns anos páginas e páginas de currículo que ninguém vai ler… E dará uma sensação de algo exagerado, falso.

Quanto mais sucinto e direto, melhor.

Fala que eu te escuto

Hoje em dia, Speaker é um termo usado na lingua portuguesa como sinônimo de palestrante. Essencialmente as grandes empresas de produtos contratam profissionais da área para divulgar seus produtos, e a estes dão um nome chique de Speaker.

Tem outras empresas que não adotam este nome, gostam do termo “embaixadores” da marca. Mas é essencialmente a mesma coisa.

Estão usando outro termo para uma escala acima de Speaker, que é o “Board”. Estes, o vínculo profissional é mais intenso, supostamente são profissionais que participam de pesquisas pelas empresas que os contrada. 

Tempos atrás eu pensei em colocar no meu currículo que sou o “Vice-Rei” do Hospital da Face e “Capo di tutti capi” do Instituto Velasco, mas achei que ficaria exagerado…

Sem piadas. Voltando à baila:

Usualmente tais profissionais (speakers, embaixadores, boards…) tem uma margem de tolerância restrita sobre o que falar em relação aos concorrentes e precisam defender as marcas das quais são contratados.

Pense, portanto, que um Speaker ou Embaixador é uma pessoa que, na maioria das vezes, tem uma opinião tendenciosa sobre alguns produtos. Não digo que é certo ou errado, mas o fato é que não é de se esperar uma opinião isenta quando este se refere às marcas que defende.

Pode colocar “Speaker” da marca X e “Embaixador” da marca Y no seu currículo? Faça como achar correto, mas isso validade ZERO na credibilidade do profissional, e muitas vezes pode ser até um aspecto negativo dependendo de onde você apresenta sua folha corrida.

Eu, caçador de mim

Outra coisa estranha: Se meu consultório tem meu nome, eu não tenho que anunciar que sou dono dele, né? Cabe as informações? Até cabe quando a estrutura é grande para ter outras pessoas em funções diversas, mas o Dr. José da Silva anunciar que é o CEO do Da Silva Odontologia é meio um exagero.

Não digo errado, mas pode ficar meio nonsense estes títulos e cargos. Use com moderação e se fizer sentido, não para somar mais um item no seu curriculo…

E isto NÃO coloque em seu currículo…

Do mesmo modo, não tente “colocar os seus passarinhos” falando que é Pós-graduado em Harvard, ou então Pós-graduado no M.A.R.C. – Miami Anatomical Research Center na Flórida. Ou qualquer outra referencia internacional do genero só porque passou dois dias com vários outros brasileiros fora do país em um destes eventos papa-níquel.

Até porque eles se encaixam como as demais pós-graduações em títulos acadêmicos como falei aí em cima.

Tecnicamente, não está errado, mas com certeza divulgar seu currículo assim é tremendamente antiético.

Digo isso pois, para um leigo, pode parecer grande coisa, pois palavras como pós-graduação seguida de nomes famosos como Harvard, Cambridge, UCLA ou mesmo o citado MARC Institute trazem uma autoridade que não existe, é enganação.

Até porque como já disse: Harvard e Cambridge alugam espaços para eventos (que é o que fazem nestes cursos), e o M.A.R.C. – Miami Anatomical Research Center pode ser contratado por qualquer profissional e oferecer cursos em fresh-frozen cadaver (ou seja, qualquer um pode chegar lá e oferecer um curso de anatomia ou outro tema correlato).

Tem outras empresas que dão esta falsa impressão de ser algo internacional quando na verdade são gerenciadas por brasileiros e para brasileiros, como a tal de American Society of Anatomy, que não é nem American (no sentido estrito do termo), nem Society

Mas agora… colocar em seu currículo coisas como “Professor de Harmonização Facial em Harvard”, ou “Professor do M.A.R.C. – Miami Anatomical Research Center ou ainda Coordenador da “American Society of Anatomy” ou até mais recentemente da “Cambridge College” é, para usar um termo suave, falsear com a verdade.

Pra não falar que é mentira, porque posso ser criticado por falar tão abertamente isso.

Mas tudo que falo sobre estas empresas pode e devem ser verificados. Oportunamente podemos avançar neste tema, mas penso que vou fugir do assunto. E gostaria que o leitor percebesse que não estou argumentando a qualidade do ensino e conhecimento trasmitido, mas nos títulos supostamente internacionais que estes cursos oferecem e que são apresentados de forma falsa.

Concluindo

Eu acho válido os profissionais enriquecerem o seus currículos apresentando o que realmente tem de informação e o que os habilitam dentro da especialidade porém existe uma necessidade muito grande dos profissionais da área da harmonização em querer mostrar um currículo que não tem. E isso só oculta os profissionais que de fato merecem mais créditos acadêmicos e, ouso dizer, técnicos.

Um profissional para ser reconhecido ele não tem que ter um currículo grande ou muito elaborado. Mas ele tem que ser sólido. Correto. 

O resto, é sua habilidade dentro da especialidade que vai preencher o que falta.

Hasta!


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Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face. Trabalha desde 2011 em harmonização facial.