Opções de Preenchedores Faciais à base de Ácido Hialurônico e suas Indicações Clínicas

Opções de Preenchedores Faciais à base de Ácido Hialurônico e suas Indicações Clínicas

Este é o trabalho de conclusão de curso da Dra. Roberta Zaideman Azar, para obtenção do título de Especialista em Harmonização Orofacial pelo Instituto Velasco/FACOP.

Resumo

O ácido hialurônico é polissacarídeo endógeno encontrado naturalmente na matriz extracelular do nosso organismo. Por possuir características muito próximas do que seria um preenchedor ideal, tem sido cada vez mais utilizado para a correção dos sinais do envelhecimento, como perda de volume e rugas faciais. Por esse motivo foi realizado um levantamento de todos os preenchedores que existem atualmente no mercado brasileiro e devidamente registrado na ANVISA, além de uma revisão de todas as características reológicas que envolvem tais preenchedores, na tentativa orientar a forma de escolher o melhor preenchedor  para cada região e situação.

 

1.Introdução

Segundo Jacovella (2008) os sinais estéticos mais comuns do envelhecimento facial incluem a visibilidade dos pontos de referência ósseos, rugas da pele, sulcos profundos, proeminência do sulco nasolabial, rítides verticais periorais, ptose das comissuras orais e adelgaçamento dos lábios.

Há um consenso entre Sattler e Gout (2017) e Jacovella (2008) de que esses sinais clínicos do envelhecimento facial surgem da perda de tecido subcutâneo (atrofia do corpo adiposo profundo), do afinamento da derme, perda de elasticidade e como citado por Wang et al. (2007) a perda do ácido hialurônico endógeno, que está associado ao aumento da desidratação e enrugamento da pele.

O ácido hialurônico é um polissacarídeo endógeno encontrado naturalmente na matriz extracelular. E está presente na pele, líquido sinovial das articulações, líquido vítreo do olho e cartilagem. Esses polímeros de ácido hialurônico tem a capacidade de se ligar à água formando uma substância viscosa que auxilia na hidratação e turgor da pele, mantendo-a com aspecto jovem e saudável. Kablik et al. (2009), Wang et al. (2007)

Segundo Kablik et al. (2009), um homem com um peso médio de 70 kg tem aproximadamente 15 g de ácido hialurônico em seu corpo, sendo que, aproximadamente 50% dele está localizado em pele.

Após injetar preenchedor à base de ácido hialurônico em tecidos subcutâneos profundos, essas alterações estruturais visíveis na face podem ser tratadas diretamente pelo volume compensatório e pela reposição de líquidos segundo Sattler e Gout (2017). E por esse motivo como sugerido por Jacovella (2008) os preenchedores faciais injetáveis são cada vez mais vistos como uma boa opção para melhorar certos sinais de envelhecimento.

Segundo Jacovella (2008) e Gutowska, Jeong e Jasionowski (2001) para aqueles pacientes que ainda esperam por mudanças drásticas de rejuvenescimento, a cirurgia plástica convencional provavelmente continua sendo a melhor opção de escolha.

No entanto, aqueles pacientes que procuram por mudanças mais discretas, que não gostariam de passar por todo processo de recuperação cirúrgica que envolve inchaço, repouso e dor, mas que gostariam apenas de passar uma imagem mais descansada e confiante, os preenchedores podem ser uma boa opção nesses casos; pois mostram resultados mais ‘real-time’, poupam tecido, permite aumento dos tecido moles (sua perda é uma das principais causas do aparecimento dos sinais do envelhecimento), com alta capacidade de fixação à água e praticamente nenhum tempo de recuperação exigido (Jacovella, 2008, Gutowska, Jeong e Jasionowski, 2001, Sattler e Gout, 2016)

Para este propósito o material deve ser não tóxico, biocompatível, não antigênico, não inflamatório, não pirogênico, de fácil uso, estável após injeção, de longa duração mas reabsorvível (Gutowska, Jeong e Jasionowski, 2001). E este tem ainda o benefício de ser um tratamento reversível através do uso da hialuronidase (Harrison e Rhodes, 2017).

Para chegar o mais próximo dessas características e do que seria um “preenchedor ideal”, é que o mercado tem investido cada vez mais em estudos e desenvolvimento de diversos tipos de materiais preenchedores. Só no mercado brasileiro, se considerado os preenchedores à base de ácido hialurônico e que possuem o registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) encontramos quase uma centena produtos para esta finalidade.

 

2. Objetivo

O presente trabalho tem por objetivo realizar um levantamento atualizado dos preenchedores à base de ácido hialurônico presente no mercado brasileiro e que possuem registro válido na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), além de auxiliar o profissional na escolh[…]


Publicado por:
Mestre em Medicina/Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Prótese Dentária, Prótese Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial. Coordenador de cursos em Implantodontia e Harmonização Orofacial do Instituto Velasco, Diretor do Hospital da Face